Comparação dos teores de ácido vacénico em leites de vaca provenientes dos Açores e de Portugal continental

Fátima Silva, Ana Mota, Fátima Poças, Luís M. Rodrigues-Alcalá, Ana Gomes

Research output: Chapter in Book/Report/Conference proceedingConference contributionpeer-review

Abstract

A composição da dieta dos bovinos é crucial na modelação de alguns nutrientes no leite de vaca (1). O ácido vacénico (VA) é um ácido gordo (AG) monoinsaturado com 18 átomos de carbono e uma ligação dupla trans no carbono 11 (C18:1 Δ11t). Este ácido está naturalmente presente na gordura do leite de vaca representando ca 30 % a 50 % do total dos isómeros trans do ácido oleico (C18:1 Δ9c). A gordura do leite é constituída normalmente por cerca de 3 a 6 % de AG trans, sendo o VA o principal AG trans presente no leite de ruminantes (2). É um percursor endógeno, nos ruminantes e humanos, da síntese do ácido ruménico (C18:2 Δ9,11c,t), sendo o isómero mais abundante do AG linoleico conjugado (CLA). O seu impacto na saúde humana tem sido alvo de diversos estudos (3,4). Os AG trans, principalmente C18:1 Δ9t e C18:1 Δ10t, devem ser evitados na dieta humana dado estarem associados a problemas cardiovasculares. No caso específico do VA não há ainda uma clara conclusão relativamente ao seu impacto na saúde apesar de alguns estudos reportarem um efeito benéfico (3,4).O objetivo deste estudo foi avaliar o teor de VA em leites de vaca nacionais, de diferente origem geográfica de produção. As amostras de leite foram recolhidas no mercado, na primavera de 2016. Foram analisados leites UHT meio gordo (MG), com 1,6 % gordura. As amostras foram recolhidas nos Açores (1 marca, 5 lotes) e em Portugal continental (2 marcas, 3 lotes). Para a amostra recolhida nos Açores foi analisado também o leite cru respetivo (4,0 % gordura).Os teores de VA foram determinados por cromatografia gasosa com deteção por ionização de chama (GC-FID), após derivatização (5). O teor de VA (média ± desvio padrão) na gordura do leite nas duas marcas do continente analisadas foi 9,4 ± 0,5 mg/g (n=6) e 8,6 ± 1,1 mg/g (n = 6). Nas duas amostras dos Açores o teor de VA foi de 12,7 ± 1,7 mg/g (n = 10) e 12,8 ± 1,2 mg/g (n = 10) no leite cru e UHT respetivamente. Os resultados indicam que no leite dos Açores o teor de VA não é estatisticamente diferente (P > 0,05) entre o leite cru e o respetivo leite UHT. Na comparação do leite UHT dos Açores com os dois leites UHT do continente verifica-se que existem diferenças com significado estatístico (P < 0,05). O leite UHT dos Açores apresentou teores de VA de 36 % e 48 % superiores aos outros dois leites UHT. Este estudo parece assim indicar que o leite dos Açores apresenta um teor de VA superior ao dos leites do continente e que o tratamento térmico não afetou a composição da gordura do leite em relação ao teor VA.
Original languagePortuguese
Title of host publication4º Simpósio Nacional Promoção de uma Alimentação Saudável e Segura 'Do Nutriente à Embalagem – Inovação e Desafios'
Subtitle of host publicationlivro de resumos
PublisherInstituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge
Pages69-70
Number of pages2
Publication statusPublished - 21 Sep 2017
Event4º Simpósio Nacional Promoção de uma Alimentação Saudável e Segura: Do Nutriente à Embalagem: Inovação e Desafios - Lisboa, Portugal
Duration: 21 Sep 201721 Sep 2017

Conference

Conference4º Simpósio Nacional Promoção de uma Alimentação Saudável e Segura
Abbreviated titleSPASS 2017
Country/TerritoryPortugal
CityLisboa
Period21/09/1721/09/17

Cite this