Descrições minoritárias

Research output: Types of ThesisMaster's Thesis

Abstract

Esta tese parte do pressuposto de que existem enunciados, como «Eu sou x», que não podem ter um valor contratual, pois o seu significado depende substancialmente dos diferentes conjuntos de pessoas que os procuram definir. Por exemplo, se substituirmos a expressão por «Eu sou um homem de vinte e cinco anos chamado João» percebe-se que esta afirmação parece ser a simples constatação de um facto e não a origem de grandes maleitas interpretativas. No entanto, quando se troca «x» por uma palavra como «mulher» a questão deixa de parecer simples, surgindo nas memórias de cada um as imagens de uma elegante senhora de meia idade, de uma sufragista inglesa com aspecto reivindicativo, de uma robot indistinguível de qualquer ser humano ou de um casal de mulheres apaixonadas no meio de um jardim. A estas figuras correspondem diferentes versões do que deve ser uma mulher, ou um conjunto de mulheres, e, se algumas dessas definições condizem com os pensamentos da maioria sobre como tem de ser um membro do sexo feminino, outras são apenas o apanágio de minorias. No fundo, nesta tese procura tratar-se um problema de linguagem, relacionado com a forma como diferentes pessoas explicam a mesma expressão. No primeiro e segundo capítulos discutem-se dois tipos de descrições minoritárias distintas a partir dos textos das autoras Donna Haraway e Judith Butler, procurando compreender-se como reformulam o enunciado «Eu sou x». O modo como esta afirmação é indissociável da expressão «Tu fazes-me x», será o objecto de análise do terceiro capítulo, que conclui a tese.
Original languagePortuguese
QualificationMaster of Philosophy
Awarding Institution
  • University of Lisbon
Supervisors/Advisors
  • Feijó, António M., Supervisor, External person
Publication statusPublished - 2004

Keywords

  • Discourse analysis
  • Minorities
  • Philosophy of language
  • Literary philosophy

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