Doentes com necessidades paliativas em serviços de internamento hospitalar de uma região autónoma: número de doentes e adequação os cuidados nos últimos dias de vida – um estudo observacional

Ana Luísa Bettencourt, M. L. Capelas

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Abstract

Introdução: Apesar dos inegáveis benefícios dos Cuidados Paliativos (CP), potenciados quando integrados precocemente no curso da doença, é frequente a ausente ou tardia referenciação. Para facilitar o estabelecimento do prognóstico e orientar a atuação clínica, têm sido criadas ferramentas como o Gold Standards Framework Prognostic Indicator Guidance, que inclui a pergunta surpresa (validada para Portugal) e permite identificar doentes no último ano de vida. O Liverpool Care Pathway (LCP) é um guia multiprofissional de boas práticas no cuidado destes doentes. A inexistência de dados relativos à prevalência de necessidades paliativas nesta região autónoma foi o motivo impulsionador desta investigação. Objetivos: Determinar o número de doentes adultos com necessidades paliativas internados em hospitais desta região autónoma; determinar quantos estão referenciados a CP e descrever os motivos de não referenciação. Método: Estudo quantitativo, descritivo, transversal e observacional. Amostra não probabilística acidental. Colheita de dados através dos profissionais, por questionário. Resultados: Participaram 86 profissionais de saúde (69,8% médicos; 30,2% enfermeiros). Obtiveram-se 282 avaliações por médicos e 358 por enfermeiros. Apresentavam necessidades paliativas (prognóstico estimado pela pergunta surpresa ≤1 ano) 40,4% dos doentes avaliados por médicos e 35,3% dos por enfermeiros (prevalência superior nos internados em Oncologia e Medicina e nos com patologia mista ou oncológica). Estavam referenciados 11,4% dos doentes avaliados por médicos e 10,6% dos por enfermeiros (maioritariamente oncológicos ou com prognóstico estimado ≤1 mês). Os principais motivos para não referenciação foram: doente em tratamento ativo, controlado sintomaticamente, potencial curativo, morte não iminente, CP não são mais-valia e recursos para outras alternativas. Conheciam o LCP 6,7% dos médicos e 7,7% dos enfermeiros. Conclusões: Apesar da elevada prevalência de doentes com necessidades paliativas internados nos hospitais desta região autónoma, a referenciação está aquém das necessidades, sendo a acessibilidade tardia e não equitativa (preferencial nos doentes oncológicos e expetativa de vida limitada). Os motivos invocados para não referenciação denotam desconhecimento dos princípios e filosofia dos CP. É crucial o investimento na formação, para garantir a identificação, tratamento e/ou referenciação atempada destes doentes.
Original languagePortuguese
Number of pages1
JournalCuidados Paliativos
Volume6
Issue number1
Publication statusPublished - Nov 2019
EventIII Jornadas de Investigação da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos - Instituto Politécnico de Beja, Beja, Portugal
Duration: 26 Sept 201928 Sept 2019

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