TY - BOOK
T1 - Estudo in vitro dos mecanismos da neuroinvasão e neurodisseminação do HIV
AU - Ferreira, Rita Margarida Gonçalves
PY - 2021/10/7
Y1 - 2021/10/7
N2 - Atualmente, observa-se que indivíduos infetados pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), mesmo sob terapêutica antirretroviral, apresentam comorbilidades como é o exemplo da demência. Através da compreensão dos mecanismos de infeção e disseminação do HIV no Sistema Nervoso Central (SNC) poder-se-á esclarecer o aparecimento destas comorbilidades em que ocorre degeneração neuronal, designados no seu conjunto por distúrbios neurocognitivos associados ao HIV (HAND). Atualmente ainda não estão claramente definidos os mecanismos de neuroinvasão, mas o mais consensualmente aceite é a Hipótese do Cavalo de Tróia. Este mecanismo defende que o HIV infeta monócitos e linfócitos T CD4+ ao nível do sangue periférico e atravessa a barreira hematoencefálica (BHE), uma membrana permeável imprescindível na manutenção da homeostase do SNC, sem ser detetado, sob a forma de provirus integrado no genoma destas células. Uma vez no SNC, o HIV é capaz de infetar várias células, nomeadamente macrófagos perivasculares, micróglia e astrócitos. Alguns estudos indicam que estas células podem ser consideradas reservatórios virais por permitirem a integração do genoma viral no genoma celular e, em fases mais avançadas da infeção, permitirem a propagação da mesma no SNC. A disseminação do HIV no SNC ocorrerá através de proteínas virais e mediadores inflamatórios do hospedeiro (citocinas e quimiocinas), associados à toxicidade neuronal e consequente declínio cognitivo, libertados pelas células infetadas. Com a finalidade de contribuir para o esclarecimento desta questão é fundamental compreender como influencia e decorre a comunicação e interação entre monócitos, linfócitos T CD4+, macrófagos perivasculares, micróglia, astrócitos e células neuronais. Pelo que, no presente trabalho, realizaram-se ensaios de infecciosidade usando células do SNC, mantendo-se as células dadoras e células alvo em cultura em contacto ou separadas por uma membrana (sistema transwell). Foram também realizados ensaios de infecciosidade por exposição de micróglia e astrócitos a secretomas produzidos por linfócitos T CD4+, macrófagos, micróglia e astrócitos infetados com diferentes isolados primários de HIV-1 e HIV-2. De forma geral, os resultados demonstraram que as células infetadas não se comportam da mesma forma para todas as estipes primárias, independentemente do tipo de HIV. Além disso, demonstraram também que o HIV é capaz de infetar micróglia e astrócitos independentemente da ausência ou da baixa expressão do receptor CD4. No que diz espeito aos astrócitos, sugere-se o seu papel como reservatórios da infeção. Os ensaios de infecciosidade entre micróglia e astrócitos demonstram que a neurodisseminação é favorecida pelo contacto entre células, independentemente das estirpes. Contudo, observa-se que a separação de células por membrana não é impeditiva da infeção, havendo situações em que a infeção é favorecida. Os ensaios de infecciosidade de micróglia e astrócitos expostos aos diferentes secretomas, na presença e ausência de inibidores de entrada, sugerem que a infeção poderá estar a ser mediada não só por partículas virais mas também por componentes presentes nos secretomas produzidos pelas diferentes populações celulares. Considerando os resultados obtidos, o próximo passo passará então por analisar os componentes dos secretomas que evidenciaram atividade de RT na presença de inibidores de entrada.
AB - Atualmente, observa-se que indivíduos infetados pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), mesmo sob terapêutica antirretroviral, apresentam comorbilidades como é o exemplo da demência. Através da compreensão dos mecanismos de infeção e disseminação do HIV no Sistema Nervoso Central (SNC) poder-se-á esclarecer o aparecimento destas comorbilidades em que ocorre degeneração neuronal, designados no seu conjunto por distúrbios neurocognitivos associados ao HIV (HAND). Atualmente ainda não estão claramente definidos os mecanismos de neuroinvasão, mas o mais consensualmente aceite é a Hipótese do Cavalo de Tróia. Este mecanismo defende que o HIV infeta monócitos e linfócitos T CD4+ ao nível do sangue periférico e atravessa a barreira hematoencefálica (BHE), uma membrana permeável imprescindível na manutenção da homeostase do SNC, sem ser detetado, sob a forma de provirus integrado no genoma destas células. Uma vez no SNC, o HIV é capaz de infetar várias células, nomeadamente macrófagos perivasculares, micróglia e astrócitos. Alguns estudos indicam que estas células podem ser consideradas reservatórios virais por permitirem a integração do genoma viral no genoma celular e, em fases mais avançadas da infeção, permitirem a propagação da mesma no SNC. A disseminação do HIV no SNC ocorrerá através de proteínas virais e mediadores inflamatórios do hospedeiro (citocinas e quimiocinas), associados à toxicidade neuronal e consequente declínio cognitivo, libertados pelas células infetadas. Com a finalidade de contribuir para o esclarecimento desta questão é fundamental compreender como influencia e decorre a comunicação e interação entre monócitos, linfócitos T CD4+, macrófagos perivasculares, micróglia, astrócitos e células neuronais. Pelo que, no presente trabalho, realizaram-se ensaios de infecciosidade usando células do SNC, mantendo-se as células dadoras e células alvo em cultura em contacto ou separadas por uma membrana (sistema transwell). Foram também realizados ensaios de infecciosidade por exposição de micróglia e astrócitos a secretomas produzidos por linfócitos T CD4+, macrófagos, micróglia e astrócitos infetados com diferentes isolados primários de HIV-1 e HIV-2. De forma geral, os resultados demonstraram que as células infetadas não se comportam da mesma forma para todas as estipes primárias, independentemente do tipo de HIV. Além disso, demonstraram também que o HIV é capaz de infetar micróglia e astrócitos independentemente da ausência ou da baixa expressão do receptor CD4. No que diz espeito aos astrócitos, sugere-se o seu papel como reservatórios da infeção. Os ensaios de infecciosidade entre micróglia e astrócitos demonstram que a neurodisseminação é favorecida pelo contacto entre células, independentemente das estirpes. Contudo, observa-se que a separação de células por membrana não é impeditiva da infeção, havendo situações em que a infeção é favorecida. Os ensaios de infecciosidade de micróglia e astrócitos expostos aos diferentes secretomas, na presença e ausência de inibidores de entrada, sugerem que a infeção poderá estar a ser mediada não só por partículas virais mas também por componentes presentes nos secretomas produzidos pelas diferentes populações celulares. Considerando os resultados obtidos, o próximo passo passará então por analisar os componentes dos secretomas que evidenciaram atividade de RT na presença de inibidores de entrada.
KW - Human immunodeficiency virus (HIV)
KW - Central nervous system (CNS)
KW - HIV associated Neurocognitive Disorder (HAND)
KW - Microglia
KW - Astrocytes
KW - Vírus da imunodeficiência humana (HIV)
KW - Sistema nervoso central (SNC); distúrbios neurocognitivos associados ao HIV (HAND)
KW - Micróglia
KW - Astrócitos
M3 - Doctoral Thesis
PB - Universidade Nova de Lisboa
ER -