Abstract
Nos últimos anos, com a explosão da cinefilia digital, tem crescido a importância prática e teórica dos ensaios audiovisuais. Desde cineastas, críticos até teóricos da área dos film studies, ou mesmo meros amadores, todos têm praticado o gesto ensaístico com imagens em movimento. O que este artigo se propõe é salientar a importância de um esforço de clarificação conceptual dos ditos objetos, assim como pensar na sua relevância em termos políticos. O esboço de uma futura tipologia tem como propósito o de criar uma distância analítica face aos objetos audiovisuais, que possibilite a sedimentação de uma “linguagem” ensaística com o uso de imagens e sons. Este esforço contextualiza-se num quadro de imanência mediática e do audiovisual, na crescente tarefa iluminista de anotação, arquivo e manipulação desta matéria-prima que herdámos do cinema e que, em prolongamento do vasto processo da expansão e fragmentação do dispositivo cinematográfico, se afirma hoje como prática maioritária de expressão do indivíduo. Nesta tarefa não pode ser esquecida, no interior do que seria a formação de uma crítica imanente das imagens em movimento, a posição do “entre arte e ciência” do formato ensaístico (Adorno), mas também o “dilema” encerrado pela própria dinâmica dos ensaios audiovisuais. Esta coloca o seu autor entre a proximidade háptica e editorial face às imagens, e a necessidade de encontrar (ou reformular) a conceção de crítica como discurso feito a partir de um “fora”, isto é, de um distanciamento face ao objeto (Blanchot).
| Original language | Portuguese |
|---|---|
| Title of host publication | Atas do VI Encontro Anual da AIM |
| Editors | Paulo Cunha, Susana Viegas, Maria Guilhermina Castro |
| Publisher | Associação de Investigadores da Imagem em Movimento |
| Pages | 258-266 |
| Number of pages | 9 |
| ISBN (Print) | 9789899821569 |
| Publication status | Published - Jun 2016 |
| Externally published | Yes |