Páginas de rosto: autorretratos de Paulo José Miranda

Research output: Contribution to journalArticlepeer-review

Abstract

O autorretrato tem uma tradição notória na poesia portuguesa, que se torna mais visível a partir do século XX, quando o prefixo “auto-” e o vocábulo “auto-retrato” (com grafia atual “autorretrato”) começam a ser usados em títulos de poemas. A obra Auto-retratos de Paulo José Miranda (2016) explora inúmeros lugares-comuns autorretratísticos, entre os quais a própria utilização da palavra nos títulos e o recurso a uma imagem de ruína, impelindo a uma leitura que relacione o objeto livro e os poemas nele publicados, por se apresentar sem a capa e a habitual folha de rosto. Se um dos traços apontados para os autorretratos é o índice eu, aqui, agora, numa autorreferência ao autor e à obra, os poemas de Paulo José Miranda corresponsabilizam o leitor pelo destino do poema, alargando a fórmula para nós, aqui, agora. A apresentação do poema como rosto, nas páginas de rosto de Auto-retratos, é nesta obra uma indagação sobre o que é ser humano.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)41-50
Number of pages10
JournalRevue Iberi@l, Revue d’études ibériques et ibéro-américaines : Les nouveaux portraits
Issue number17
Publication statusPublished - 2020

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