Relação entre a galactina-3 e produtos de glicação avançada (AGE): o caminho para melhorar a saúde cardíaca em diabetes mellitus tipo 2

  • C. Luís
  • , R. Costa
  • , I. Rodrigues
  • , J. Gomes
  • , C. Reis
  • , R. Soares

Research output: Contribution to journalMeeting Abstractpeer-review

Abstract

A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica complexa de múltiplas etiologias com uma elevada prevalência em todo o mundo. DM tipo 2 é um tipo de DM, que se tornou uma preocupação global, dada a sua associação com o estilo de vida do século XXI. Poderá ser resultado de uma vida sedentária, dieta pobre e inadequada e stress global. Uma das consequências da DM são as complicações vasculares, principal causa de mortalidade e morbidade. A galectina-3 (GAL3) é uma lectina membro de uma família evolutiva- mente conservada de lectinas de ligação a β galactosidases solúveis, com diferentes acções metabólicas dependendo de, entre outros fa- tores, da sua localização e tecido alvo. Tem vindo a ser progressivamente reconhecida como um importante modulador de diversas actividades biológicas e crucial na patogénese de inúmeras condições de doença, incluindo doenças auto-imunes, inflamatórias e metabólicas como a DM2, cancro e insuficiência cardíaca. Recentemente, a GAL3 adquiriu maior relevância ao apresentar-se com um preditor na insuficiência cardíaca e mortalidade,(1,2) tornando- se um biomarcador útil na prática clínica. Para além de ser um biomarcador de doença, a GAL3 também é um mediador do desenvolvi- mento e progressão da insuficiência cardíaca. Sendo a fibrose um dos principais mecanismos de rigidez ventricular e disfunção diastólica e como a GAL3 possui propriedades pró fibróticas e imunomodulatórias existe uma correlação entre os níveis desta lectina no plasma e a severidade da insuficiência cardíaca. Uma das propriedades pró fibróticas da GAL3 é a sua ação promotora de síntese de colagéneo que potencia a fibrose. Os produtos de glicação avançada (AGE) são produtos de modificações postranslacionais de proteínas, resultantes de uma reação não enzimática. Estão associados a doenças degenerativas e, a sua acumulação crónica, preferencialmente no colagéneo está associada à idade. Na matriz extracelular é parte responsável pelo endurecimento do tecido, pela indução de aumento da pressão sanguínea e falha cardíaca, entre outras complicações metabólicas. O presente estudo pretende interligar estes aspetos metabólicos, relacionando a expressão da GAL3 com a localização do colagéneo e a quantificação de AGE no ventrículo esquerdo em modelo de rato dia bético. Para tal, executaram-se técnicas de Imunohistoquímica e Western Blot no estudo da expressão da GAL3. A quantificação de AGE foi realizada através de fluorescência e, o colagéneo foi estudado por ensaios colorimétricos (Tricrómio de Masson). Observou-se um aumento da expressão da GAL3 em modelo diabético, corroborado com um aumento do colagéneo e de AGE. Conclui-se que a GAL3 apresenta-se como um bom potencial biomarcador e até um bom alvo terapêutico, na medida em que vai atuar em múltiplas vertentes nas complicações vasculares e na insuficiência cardíaca. De forma indirecta, o seu silenciamento irá evitar a deposição de colagéneo, diminuindo a acumulação de AGE, melhorando a ação da musculatura cardíaca.
Original languagePortuguese
Pages (from-to)190-190
Number of pages1
JournalRevista Portuguesa de Diabetes
Volume10
Issue number4
Publication statusPublished - Dec 2015
Externally publishedYes
Event7º Simpósio em Metabolismo: abordagem terapêutica na síndrome metabólica - Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal
Duration: 21 Oct 201521 Oct 2015

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