A filosofia da religião de David Hume: teísmo, ateísmo ou deísmo?

Resultado de pesquisarevisão de pares

Resumo

Na sua filosofia da religião, David Hume faz a distinção entre teísmo genuíno, que corresponde à afirmação de que toda a estrutura da natureza indica um Ser Supremo, autor inteligente e criador da ordem do Mundo, e teísmo supersticioso, que corresponde à crença do politeísmo idólatra na ação servil e familiar dos poderes superiores, descritos de forma antropomórfica com paixões e apetites, membros e órgãos humanos. A partir desta distinção procuraremos mostrar que na obra deste autor não está em causa a essencial verdade religiosa acerca da existência de Deus, que surge à razão como óbvia, mas sim a conceção antropomórfica dos atributos divinos e a sua adequada cognoscibilidade, bem como a forma das religiões conceberem a relação providencial com as criaturas no sentido da suprema justiça e da instauração de um futuro perfeito de integral redenção. Só é possível afirmar da causa divina aquilo que se pode inferir da experiência que fazemos dos seus efeitos Assim, consideraremos que a sua posição não é de ateísmo, no sentido etimológico do termo, mas sim de deísmo, no sentido de se inferir racionalmente a partir dos efeitos a existência da Divindade, como causa última de toda a ordem natural, sem, no entanto, ser possível a compreensão filosófica da sua incomensurável essencialidade, ficando o seu obscuro e contraditório discurso remetido para o plano da fé.
Idioma originalPortuguese
Páginas (de-até)449-468
Número de páginas20
RevistaRevista Filosófica de Coimbra
Volume23
Número de emissão46
DOIs
Estado da publicaçãoPublicado - 12 dez 2014

Keywords

  • Teísmo puro
  • Teísmo supersticioso
  • Ateísmo
  • Deísmo
  • Criação
  • Politeísmo
  • Providência original
  • Providência particular
  • Antropomorfização
  • Religião filosófica
  • Deus

Citação