Resumo
Uma ostomia pode causar profundas alterações na vida da pessoa e família, que se manifestam em desajustes físicos, psíquicos, emocionais e sociais, influenciando o processo de adaptação e a qualidade de vida (Nugent et al., 1999). Da revisão bibliográfica realizada, emergem vários instrumentos construídos com o intuito de avaliar a qualidade de vida da pessoa ostomizada. O primeiro remonta ao ano 1983, foi construído por Grant e cols. e designa-se “Quality of Life Index” (Grant et al., 2004). É neste âmbito que surge este estudo que tem como objetivo geral: Verificar a relação entre a qualidade de vida dos ostomizados e a consulta de enfermagem de estomaterapia, dirigida às pessoas portadoras de ostomia de eliminação intestinal. Trata-se de um estudo transversal, com uma componente descritiva e outra correlacional, de abordagem quantitativa. A população é composta por 100 pessoas portadoras de ostomia de eliminação intestinal, número total de pessoas que frequenta a consulta de enfermagem de estomaterapia, às quais foi aplicado um questionário-entrevista, que inclui uma escala de avaliação da qualidade de vida. O tratamento dos dados foi efetuado através do programa informático Statistical Package for the Social Sciences 20. A maioria dos questionados é do sexo masculino (68%), com uma média de idade de 68 anos e, antes da cirurgia, casados (75%). Em relação às habilitações académicas dos participantes, 54% tem o 1º ciclo do ensino básico, a maioria são reformados (78%), enquadrando-se na classe social média (83%). Constatamos que na sua maioria (67%) os respondentes apresentam uma perceção positiva da sua qualidade de vida e em sentido contrário, 33% uma perceção negativa. Os resultados mostraram-nos que existem correlações positivas entre os quatro domínios da qualidade de vida e a pontuação total da escala e que a perceção da qualidade de vida é influenciada pela etiologia, tipo de ostomia, número de consultas de estomaterapia frequentadas, preparação prévia e marcação do local do estoma. Os indivíduos ostomizados são da opinião que a consulta de enfermagem de estomaterapia contribuiu para aumentar os conhecimentos relacionados com a sua condição, melhoria da sua integridade cutânea e da sua adaptação à nova realidade de vida. As necessidades sentidas pela maioria dos participantes no estudo em contexto comunitário são: a dificuldade de gestão dos sentimentos; a aceitação da condição de ostomizado; a aquisição dos produtos de ostomia adequados à situação e respetivo reembolso quando indicado; e a falta de apoio no domicílio. Perante os resultados do estudo, concluímos ter sido pertinente a criação da consulta de enfermagem de estomaterapia e a manutenção da mesma. Do estudo emerge ainda a importância da elaboração de um protocolo entre os cuidados de saúde diferenciados e os cuidados de saúde primários, que facilite a continuidade dos cuidados na comunidade à pessoa ostomizada, e a proposta de um plano formativo dirigido aos enfermeiros das unidades funcionais de saúde pertencentes aos Agrupamentos de Centros de Saúde da região.
| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação |
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| Supervisores/Consultores |
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| Data do prémio | 31 jan. 2014 |
| Estado da publicação | Publicado - 31 jan. 2014 |
| Publicado externamente | Sim |
Keywords
- Consulta de enfermagem
- Qualidade de vida
- Ostomia
- Estomaterapia
- Ostomizado na comunidade
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