Resumo

Tendo conquistado desde a Antiguidade o posto de primeiro autor ocidental, Homero continua a merecer, em praticamente todos os âmbitos da mundividência cultural europeia, um espaço referencial de centralidade indisputada. Do ponto de vista expressivo, a leitura da Ilíada e da Odisseia – abarcando quer as componentes mais denotativas da produção linguística, quer as mais conotativas da sua aura simbólica – continua a causar, ao fim de quase três mil anos de reaproximações, a impressão de regresso à inesgotável fonte primordial. A esse título pareceu-nos particularmente sugestivo propor como ângulo de abordagem o inciso expressivo da notação das cores, verificando como esta peculiar apreensão sensorial-racional, que perpassa toda a experiência mental humana, traduzida na plasticidade poética da língua grega arcaica, se aproxima ou diverge daquela que, na contemporaneidade, é veiculada pelas línguas modernas, e enforma a investigação e a experimentação estética no âmbito das artes visuais. É, pois, através da análise circunstanciada dos campos lexicais e semânticos associados às referências de cor, e da transfiguração simbólica do real apreendido que eles operam, que nos propomos tentar a revisitação do poeta – em diálogo com as grandes questões filosóficas e científicas à volta da cor e da visão.
Idioma originalPortuguese
Título da publicação do anfitriãoVolume de Homenagem à Prof. Doutora Maria de Fátima Silva
EditoraImprensa da Universidade de Coimbra
Número de páginas27
Estado da publicaçãoAccepted/In press - 2021

Keywords

  • Homero
  • Memória cultural
  • Referências cromáticas
  • Ontologia da cor

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