Resumo
Quando se pensa numa praça pensa-se, entre muitas outras coisas, na criação de puro espaço ou, se se preferir, numa pura espacialidade a qual só compreendemos a partir da experiência dos seus limites. Neste aspeto, uma praça não é diferente de qualquer outro espaço: encontramo-la a partir das suas fronteiras e periferia. O território da praça, por mais forte que seja, é subtil: mostra-se, mas não nos cerca, nem se impõe. Os limites das praças não são fronteiras, mas têm mais a natureza de limiares que continuamente são transpostos e cruzados. Pode pensar-se na praça como uma espécie de lugar na paisagem. Mas este lugar, contrariamente a muitos outros que olhamos quando ao longe vemos a paisagem, não é um lugar contemplativo: a praça é um lugar de ação, reação, interação. A praça é, deste ponto de vista, essencialmente o lugar onde a humanidade, enquanto comunidade, se realiza. A praça é o lugar que se cruza, por onde se deambula e onde se está com os outros a partilhar intervalos de tempo. Por isso, estar numa praça é uma experiência de intermitência: nunca se está numa praça muito tempo, a sua essência é a de ser cruzada e não é o lugar de acontecimentos escondidos ao olhar dos outros. É o ser coletivo que acontece na praça: o ser comum.
| Idioma original | Portuguese |
|---|---|
| Páginas (de-até) | 147-152 |
| Número de páginas | 6 |
| Revista | Estudo Prévio |
| Número de emissão | 5-6 |
| Estado da publicação | Publicado - 2014 |
| Publicado externamente | Sim |
Keywords
- Panorama
- Zumthor
- Fenomenologia do espaço
- Baudelaire
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