As declinações do amor: uma curiosidade do texto lucano

José Tolentino Mendonça

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Resumo

É sabido como Lucas concede uma atenção profunda à singularidade do estatuto de Jesus, recorrendo a um grande número de tipologias narrativas. Um exemplo curioso, e que se soma a esses, é, porém, de natureza lexical: o das declinações do verbo amar. Dentre os Sinópticos, é este Evangelista quem faz um emprego mais numeroso desse verbo. Nele também, sempre que o verbo é significativo, ocorre nos discursos de Jesus. Sem dúvida que o seu sentido, em parte, prolonga quanto estava já fixado na tradição veterotestamentária, onde uma experiência de amor une o Deus da Aliança ao povo escolhido, através da fidelidade às exigências concretas da Lei (Ex 19,3-8). Mas em Lucas, o verbo amar é, para além disso, declinado em modo absoluto. E essa originalidade funciona como dispositivo de intensificação (verbal e teológica), anunciando não apenas a autoridade inédita com que Jesus desenvolve o seu programa profético, mas possibilitando o reconhecimento, na Fé, da sua identidade e do seu poder de Salvação. Mesmo aos que se situam “fora da Lei”.
Idioma originalPortuguese
Páginas (de-até)107-114
Número de páginas8
RevistaDidaskalia
Volume37
Número de emissão1
DOIs
Estado da publicaçãoPublicado - 1 jan. 2007

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