Cenare quomodo rex: as políticas do javali na Roma de Marcial

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Resumo

O poeta Marcial é uma das mais notórias fontes sobre a alimentação do seu tempo, nomeadamente a propósito do quanto pesava nas relações sociais e na própria expressão literária. Os seus incisivos versos, mesmo parecendo algo triviais e até grotescos, revelam que, no contexto política e socialmente novedoso do primeiro século do Império, cenare quomodo rex (Petrónio, Satyricon, 38) implicava, acima de tudo, consumir carne de javali. Esta iguaria transportava em si múltiplos sentidos: símbolo de Marte e atestado de valentia do caçador, protagonista de episódios mitológicos marcantes e repetidamente recriados na arena, o aper exemplificava o novo tipo de status, conquistado através da riqueza. De facto, era quase tão oneroso obtê-lo quanto prepará-lo, o que intensificava um sabor per se delicioso, convertendo-o num chamariz para aficionados e num meio de concretizar propósitos interesseiros. O javali era um símbolo da desigualdade social que tanto incomodava Marcial, preso a um sistema de clientela, cansativo e humilhante, que subvertera as relações e as virtudes tradicionais. O simbolismo mitológico do animal permite ao poeta alusões eruditas que remetem para a tradição épica, integrando-o num bestiário que ultrapassa a dimensão satírica para representar a fragilidade que caracteriza o ser humano.
Título traduzido da contribuiçãoCenare quomodo rex: boar politics in Martial’s Rome
Idioma originalPortuguese
Título da publicação do anfitriãoDas culturas da alimentação ao culto dos alimentos
EditoresCarmen Soares
EditoraImprensa da Universidade de Coimbra
Estado da publicaçãoAceite para publicação - 2021

Keywords

  • Roma imperial
  • Javali
  • Marcial
  • Luxus
  • Clientela
  • Sátira social e literária

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