Resumo
Glossa Ex Machina é uma arqueologia especulativa. Uma fala espectral que não pertence a ninguém, mas que insiste — como um vírus sonoro — em habitar corpos. Através de fumo denso, ruído e uma voz, a peça invoca a presença de uma entidade vocal que tenta articular fragmentos de uma língua extinta — ou talvez nunca nascida. Treinada por inteligência artificial a partir de arquivos obsoletos, registos esquecidos e línguas mortas, a voz ocupa o espaço como uma espécie de oráculo falhado. Oscila entre discurso, lamento e comunicação quebrada, como um eco mal sintonizado de um futuro anterior. Não se dirige a ninguém em particular. Fala porque sim. Inspirada pela hauntologia, pela figura da voz sem um corpo, e pelas formas em que a linguagem resiste à morte, Glossa Ex Machina encena uma aparição maquínica — uma solução milagrosa. A montra torna-se um altar profano. O público escuta sem compreender, contempla sem resposta. A peça oferece, apenas, presença. O som como corpo, o corpo como som. Na era pós-digital, entre os escombros do pós-democrático e do pós-humano, esta voz-fantasma ressoa como um sintoma de sistemas linguísticos e políticos colapsados. A linguagem sobrevive desabitada, replicada por tecnologias que já não sabem o que dizem, mas continuam a falar.
| Idioma original | Portuguese |
|---|---|
| Editora | Balleteatro |
| Estado da publicação | Publicado - 5 jul. 2025 |
| Evento | Extemporânea 2025: Performances e Instalações - Centro Comercial de Cedofeira, Porto Duração: 5 jul. 2025 → 5 jul. 2025 |
Projetos
- 1 Ativos
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CITAR - Research Center for Science and Technology of the Arts: UID/622/2025. Pluriannual 2025-2029
Ribas, D. (PI)
1/01/25 → 31/12/29
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