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Health impact assessment: quantifying and modeling to better decide

Título traduzido da contribuição: Avaliação de impacte na saúde: quantificar e modelizar para melhor

Resultado de pesquisa

Resumo

Contexto A Avaliação de Impacte na Saúde (AIS) é uma combinação de procedimentos, métodos e instrumentos, pelos quais uma política, programa ou projeto, do sector público ou privado, pode ser julgado(a) em termos dos seus potenciais efeitos na saúde da população, bem como quanto à distribuição desses efeitos na mesma população, tendo assim uma forte preocupação relativa a equidade. É na sua base construído como um instrumento de apoio à tomada de decisão, tendo como principais outputs recomendações para os decisores assegurarem que as politicas implementadas minimizam efeitos na saúde e na equidade negativos e maximizam positivos. Ao longo das suas diversas fases, a AIS é geralmente e muito frequentemente uma abordagem qualitativa, sendo rara a aplicação de metodologias estatísticas multivariadas. Objetivo Principal Mostrar a utilidade de aplicar metodologias estatísticas quantitativas e multivariadas para enriquecer a prática da AIS, tornando o processo de tomada de decisão mais fácil, no sentido de auxiliar a compreensão dos resultados por profissionais não-estatísticos, mas sempre num contexto aprofundadamente baseado na evidência. Identificando e Explorando Perfis no Estado da Arte A AIS nasceu de duas áreas distintas do conhecimento: avaliação ambiental e saúde pública. Duas questões surgem ao explorar o estado-da-arte: será possível a criação de um guia universal? Serão as metodologias quantitativas aplicadas de forma corrente em ambas as áreas? A construção de perfis com classificação hierárquica dos 45 guias de AIS inicialmente estudados por Herbert (2012) mostra que um guia universal seria possível e são identificados 9 candidatos potenciais a servir como base. Os títulos de 247 artigos científicos listados pela Health Impact Assessment Section da HIA Gateway Bibliography associada à Public Health England de 2012 a 2014, bem como as palavras-chave disponíveis em 170 desses artigos, são estudados com análise textual multivariada, tendo em conta perfis de ano, ser publicado numa publicação ambiental ou numa de saúde pública e usar métodos quantitativos. Os resultados baseados nos títulos e nas palavras-chave revelam-se coerentes, mostrando que o ano 2014 tende a estar mais associado a publicações ambientais, que as AIS em áreas ambientais são mais frequentemente quantitativas (essencialmente no que respeita a avaliação de risco) e que as AIS em áreas de saúde pública são mais qualitativas e sobretudo relacionadas com determinantes sociais de saúde e preocupações de equidade. Torna-se assim pertinente e representa um valor acrescentado para o estado do conhecimento atual, encorajar a aplicação de métodos quantitativos de estatística multivariada (como classificação hierárquica ou análise textual multivariada) ao avaliar com AIS o impacte na saúde e na equidade em saúde de políticas em saúde pública. Contribuindo com Classificação Hierárquica para a fase de Rastreio em AIS A fase de rastreio (screening) em AIS ajuda-nos aqui a selecionar a área de enfoque da nossa investigação. A classificação hierárquica é usada como metodologia de base para contribuir a melhorar a fase de rastreio da AIS em duas situações distintas. Um total de 76 políticas de reforma hospitalar da saúde em Portugal foram previamente classificadas por um painel de 7 especialistas de renome na área de saúde pública da Universidade Nova de Lisboa, considerando uma escala de 10 pontos (1-Muito baixo a 10- Muito elevado) relativa a Impacte Potencial, Facilidade de Implementação e Custos de Implementação. A classificação hierárquica permitiu-nos agrupar as políticas em classes distintas, realizar uma análise de cenários considerando todas as possíveis priorizações de classes e eleger um grupo específico de políticas como potenciais prioridades para AIS. Esse grupo engloba políticas com elevado impacte e menores custos de implementação, incluindo medidas associadas a gestão e à criação de modelos de benchmarking legais e operacionais quanto à ligação entre prestação de serviços de cuidados de saúde primários e hospitalares. Um total de 30 Programas Nacionais de Saúde enquadrados no Plano Nacional de Saúde 2004- 2010 foram descritos por variáveis, agrupadas em 7 domínios. Cada domínio é ordenado de acordo com um conjunto de critérios previamente determinados de acordo com o constituir uma prioridade potencial para AIS. Os resultados da classificação hierárquica e metodologias complementares aplicados em cada domínio permitem-nos então ordenar cada classe de programas de acordo com o potencial esperado para ser prioridade para AIS e, em seguida, ter em conta a ordenação dos domínios. As políticas associadas ao Programa Nacional para as Doenças Cerebro-Cardiovasculares surgem como prioritárias para AIS, de acordo com os diversos critérios de abrangência regional, preocupações com ganhos em saúde, necessidades de sistemas de saúde e ganhos de efetividade, ser um programa prioritário a nível do Plano Nacional de Saúde, entre outros. Esta análise leva-nos a escolher como contexto de aplicação do estudo da equidade em AIS abaixo a área das doenças cérebro-cardiovasculares, quanto a políticas ligando os cuidados de saúde primários aos hospitalares. Visualizando Iniquidades para Avaliação de Impacte na Saúde Propomos um caminho conceptual de análise da associação entre uma política pública e o impacte na saúde tendo em conta preocupações de equidade, mostrando como pode ser posto em prática. Os dados contemplam 3.776 adultos internados em hospitais com um diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio durante o segundo semestre de 2012 e seguidos regularmente nos cuidados de saúde primários durante 2013, sempre no Serviço Nacional de Saúde em Portugal. A política avaliada num contexto de AIS é o registo de informação relativo aos indicadores Pressão arterial, Colesterol, Triglicéridos, Perímetro abdominal e Índice de Massa Corporal. O impacte na saúde de interesse é a mortalidade até ao final do período de estudo (31 de Dezembro de 2013). O aspeto de equidade focado respeita às disparidades regionais em Portugal, visto que não aplicar a política de forma adequada nas 5 regiões de residência (Norte, Centro, LVT, Alentejo e Algarve) pode aumentar iniquidades de saúde regional. São estimados OR brutos e ajustados (para sexo, idade, sua interação, 4 indicadores de severidade do internamento) por Regressão Logística, complementada por métodos de análise de dados multivariada exploratória como Análise em Componentes Principais e Análise de Correspondências Múltiplas. Numa primeira fase, as diferenças encontradas entre regiões quanto ao registo dos indicadores de saúde estudados realçam a relevância de analisar a associação entre a mortalidade e o registo, estratificada por região. Em seguida, a análise revela padrões de associações de mortalidade-registo distintos entre regiões, indiciando que o registo de diferentes indicadores aliando informação hospitalar à de cuidados de saúde primários pode contribuir para melhores outcomes de saúde ao longo das diversas regiões. A apresentação gráfica dos resultados gerados pelas metodologias multivariadas aplicadas pode potenciar a compreensão da abordagem, facilitando o entendimento dos resultados pelos decisores. Discussão, Conclusões e Perspetivas Futuras A aplicação de métodos estatísticos mais usuais em data mining e data science implica que mesmo metodologias mais complexas podem gerar resultados gráficos que simplifiquem a compreensão e potenciem a sua adesão à utilização de AIS. O futuro das reformas dos sistemas de saúde desloca o centro da avaliação dos serviços de saúde dos prestadores para os cidadãos e para as suas necessidades e preferências, reduzindo as iniquidades no acesso à saúde e a ganhos em saúde, adaptando os sistemas de saúde a novas tecnologias, tirando partido de big data que associa desde informação dos prestadores a dados sociais e económicos de determinantes de saúde. Torna-se necessário desenvolver e aplicar metodologias estatísticas e de avaliação novas ou inovadoras que ponham em movimento esta transformação. A AIS que aplique métodos quantificados multivariados representa assim uma ferramenta valiosa para assegurar que o impacte em saúde de políticas públicas é medido tendo em consideração determinantes de saúde e equidade, trazendo os cidadãos para o centro do processo de tomada de decisão.
Título traduzido da contribuiçãoAvaliação de impacte na saúde: quantificar e modelizar para melhor
Idioma originalEnglish
Instituição de premiação
  • University of Lisbon
  • Conservatoire national des arts et métiers
Supervisores/Consultores
  • Pereira-Miguel, José, Supervisor, Pessoa externa
  • Saporta, Gilbert, Supervisor, Pessoa externa
Data do prémio19 dez. 2017
Estado da publicaçãoPublicado - 19 dez. 2017
Publicado externamenteSim

Keywords

  • Avaliação de impacte na saúde
  • Equidade
  • Análise de dados multivariada
  • Modelização
  • Tomada de decisão

Impressão digital

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