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O debate teórico sobre a politonalidade e a noção de dissonância escalar

  • José Oliveira Martins

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Resumo

Desde o início do século vinte, o debate teórico-musical em torno da politonalidade tem revelado um conceito ilusório e por vezes intensamente contestado. Este debate, que reemergiu nos últimos anos, levou à recepção em termos históricos, analíticos, e perceptuais de um conceito paradoxal, que foi atribuído tanto à consolidação como destruição da tonalidade, à expressão do conservadorismo musical como do modernismo, e a um acto de mera imaginação do ouvinte como de fenómenos musicais perceptíveis. A presente comunicação revisita a actividade de teorização sobre politonalidade no início do século de Koechlin, Milhaud, Casella, Bartók e outros, a qual foi posteriormente rejeitada ou apropriada pelas abordagens pós-Schenkerianas e teoria de conjuntos desenvolvidas na segunda parte do século. Os aspectos do debate são examinados ao longo de duas tensões teóricas: (1) formulações construtivas versus interpretativas sobre as implicações ontológicas do termo e (2) abordagens estritas ou amplas sobre a natureza das camadas sobrepostas. Argumenta-se que as primeiras noções de politonalidade se baseiam em pontos de vista inclusivos, explorando vários arranjos de composição e estratégias de escuta, enquanto que os detractores da politonalidade - a posição dominante ao longo do século - desvalorizaram e descartaram aspectos construtivos e inclusivos e adoptando visões principalmente exclusivas e interpretativas dado o potencial da politonalidade para desafiar as noções de unidade tonal e a coerência da “obra”. A comunicação propõe também a formulação analítica original de “dissonância escalar” (a qual mede o “desencontro” ou fricção entre as camadas escalares), que é exemplificada em "politonalidade contrapontística" de Milhaud, Bartók e Casella, e depois reformulada para interpretar também a prática harmónica (de Lutoslawski). Com esta proposta analítica, argumenta- se portanto que os princípios politonais se aplicam a uma prática composicional mais ampla do que é tradicionalmente atribuída.
Idioma originalPortuguese
Páginas31-31
Número de páginas1
Estado da publicaçãoPublicado - 2017
EventoENIM 2017: VII Encontro de Investigação em Música - Universidade do Minho, Braga
Duração: 9 nov. 201711 nov. 2017

Conferência

ConferênciaENIM 2017
Título abreviadoENIM 2017
País/TerritórioPortugal
CidadeBraga
Período9/11/1711/11/17

Citação