Resumo
Convicto da imortalidade dos seus versos, Horácio proclamou, há mais de dois milénios, que construíra um monumento mais perene que o bronze e mais alto que as pirâmides. Na verdade, os documentos literários, encarnados como as estátuas ou os edifícios em materiais perecíveis, se suportaram as vicissitudes do tempo, trouxeram a sucessivas gerações a memória dos que os construíram e a dúvida, sempre renovada, sobre a realidade dos mundos que fixaram. Os poemas homéricos e a Bíblia epitomizam essa dúvida avassaladora, que a História tem vindo a tentar esclarecer, analisando a materialidade dos vestígios e discutindo interpretações anteriores. Com efeito, a memória de cada homem, por mais fluida e frágil que pareça, impregna tanto os escritos, como os objectos e até as paisagens, interpelando-nos irresistivelmente. A interacção entre Literatura e História, em busca das marcas da nossa perene humanidade, é, por isso, arrebatadoramente frutífera. A Antiguidade está viva. Como lembra Konstandinos Kavafis à radiosa Jónia, a propósito dos velhos deuses: “Quando amanhece sobre ti uma alba de Agosto/ Pela tua atmosfera perpassa um vigor da vida deles;/ e por vezes uma figura etérea de um/ efebo, vaga, de andar rápido/ passa por cima das tuas colinas.”.
| Idioma original | Portuguese |
|---|---|
| Título da publicação do anfitrião | Memória e materialidade |
| Subtítulo da publicação do anfitrião | interpretações sobre a antiguidade |
| Editores | Luciane Munhoz de Omena, Ana Teresa Marques Gonçalves |
| Local da publicação | Brasil |
| Editora | Paco Editorial |
| Volume | 1 |
| Edição | 1 |
| ISBN (impresso) | 9788546212491 |
| Estado da publicação | Publicado - 2018 |
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