Resumo
Compreender as condicionantes do sucesso académico e a forma como os percursos escolares se constroem ao longo da escolaridade tem sido objeto de análise em Educação e Psicologia. Da mesma forma, o cenário que caracteriza Portugal e a Europa, ao nível do elevado número de jovens que abandona precocemente a escola ou que não está integrado em qualquer sistema educativo, de formação ou de emprego, reforça a relevância de estudos deste cariz. Assim, a presente tese pretende analisar que variáveis pessoais e contextuais explicam os desempenhos escolares e que dinâmicas ocorrem entre as mesmas na definição dos percursos escolares de um grupo de 399 estudantes do 3.º Ciclo do Ensino Básico. Seguindo um desenho de investigação longitudinal, e combinando perspetivas teóricas e de análise de dados centradas nas variáveis e centradas na pessoa, desenvolveram-se quatro estudos empíricos. O primeiro estudo, denominado “ Impacto das variáveis psicológicas e sociofamiliares no desempenho escolar dos estudantes: uma análise exploratória”, analisou a influência de um conjunto de variáveis psicológicas e sociofamiliares nos desempenhos escolares obtidos no 7.º e no 9.º ano de escolaridade. O segundo, intitulado “ Entre a família e o estudante: evidências de um modelo de mediação na explicação do desempenho escolar”, avaliou os efeitos diretos e indiretos das variáveis sociofamiliares sobre os desempenhos escolares, salientando a mediação das variáveis psicológicas. O terceiro estudo, nomeado “ Inteligência e desempenho escolar ao longo do 3.º Ciclo do Ensino Básico: relevância do desempenho escolar prévio”, analisou o poder preditivo da inteligência sobre desempenhos escolares obtidos ao longo da escolaridade. Por fim, o quarto estudo, designado, “ Perfis escolares no 3.º Ciclo do Ensino Básico: a combinação de variáveis psicológicas, sociofamiliares e escolares”, investigou como as variáveis se combinavam e se agrupavam em diferentes perfis escolares. Os resultados demonstram que, para estes participantes, o raciocínio, o autoconceito académico e as metas académicas predizem os desempenhos escolares. Além disso, e apesar da relevância das variáveis cognitivas, estas apenas mantêm a sua capacidade preditiva ao longo do tempo por influência do nível prévio de conhecimentos. Por sua vez, as habilitações escolares da mãe, a aceitação parental e o envolvimento parental são as variáveis familiares capazes de predizer diretamente os desempenhos escolares. As expetativas parentais explicam indiretamente o desempenho escolar obtido do 7.º e no 9.º ano, ao influenciarem o autoconceito académico dos filhos. Também as expetativas académicas parentais influenciam indiretamente o desempenho escolar obtido no 7.º ano, através das metas de aprendizagem. A combinação das variáveis em estudo possibilitou, ainda, a definição de três grupos de estudantes: o de sucesso escolar, o de insucesso escolar não envolvido com a escola e o de insucesso escolar envolvido com a escola. Os resultados obtidos possibilitam uma melhor compreensão do fenómeno de sucesso escolar, enfatizando a sua natureza multifacetada e multideterminada. Tal implica mudanças nas práticas educativas e psicológicas, tanto ao nível da avaliação cognitiva dos estudantes com dificuldades de aprendizagem como, também, da própria forma de mensurar o sucesso e fracasso escolar. Reforça-se o papel dos pais enquanto elementos-chave ao sucesso escolar dos educandos e a necessidade de um diálogo mais permanente e efetivo entre família e escola. A reconceptualização do conceito de sucesso escolar, em articulação com políticas e medidas educativas que atendam às singularidades dos estudantes e dos seus contextos, possibilitam sistemas educativos mais inclusivos e uma maior democratização do sucesso escolar.
| Idioma original | Portuguese |
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| Qualificação | Doctor of Philosophy |
| Instituição de premiação |
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| Supervisores/Consultores |
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| Data do prémio | 13 nov. 2015 |
| Estado da publicação | Publicado - 2015 |
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