Resumo
O presente trabalho articula a formação de professores de Língua Portuguesa, a prática de reflexão linguística em sala de aula e o constructo teórico da Linguística Cognitiva (LC). Para tanto, esta tese constitui-se de duas partes relacionadas, mas independentes. Na primeira, desenvolve-se uma pesquisa qualitativa com grupo focal, da qual participaram quatro alunas de um curso de Letras, as quais estavam – no momento da pesquisa – cursando a disciplina de Estágio de Docência de Português 1. O objetivo da primeira parte é investigar como os professores em formação inicial participantes da pesquisa entendem e propõem o trabalho com as formas linguísticas em seus projetos de estágio. Para isso, a pesquisadora realizou observação participante ao longo das aulas presenciais da disciplina de Estágio de Docência de Português 1, além de propor encontros de avaliação conjunta do pré-projeto e do projeto final das participantes. Os encontros foram gravados em áudio e, posteriormente, transcritos. Ao final da primeira parte, analisam-se o conteúdo temático das interações e os documentos relacionados ao estágio das participantes. Esta primeira parte se torna relevante para a construção de entendimentos que guiam a segunda parte da tese. Entre esses entendimentos, encontram-se (i) a necessidade da construção de mais relações entre as disciplinas teóricas de Linguística e a futura prática docente dos professores em formação, (ii) a importância da realização de intervenções (individualizadas e coletivas) para que os professores em formação estabeleçam articulações entre o que estudaram ao longo do curso e a sua prática docente e para que se vejam e ajam como profissionais reflexivos e (iii) a configuração do estágio como um espaço de reflexão sobre a própria ação. Na segunda parte, investiga-se em que sentido a prática de reflexão linguística pode se beneficiar dos pressupostos da LC, buscando atender aos entendimentos oriundos da primeira parte desta tese. É feita, então, uma revisão de conceitos da LC – noções de língua, construals, embodiment, categorização, conhecimento enciclopédico e construções – e, em seguida, são discutidas as suas implicações para a realização da prática de reflexão linguística. A fim de ilustrar as relações propostas, são apresentadas situações de aulas de língua portuguesa, as quais foram vivenciadas pela pesquisadora. Ainda na segunda parte desta tese, analisa-se o trabalho sobre “metáfora” proposto por duas participantes da primeira parte deste estudo, a fim de apresentar uma situação em que a LC pode informar a definição de uma forma linguística. Ao final da segunda parte desta tese, apresenta-se um continuum entre “ações já debatidas em estudos sobre a prática de reflexão linguística no ensino de línguas” e as “novas ações para a prática de reflexão linguística no ensino de línguas inspiradas por entendimentos da LC”. Concluiu-se que o estabelecimento de relações entre os pressupostos da LC e a prática de reflexão linguística é produtivo, uma vez que desloca o foco da “forma” para a “significação” e aponta caminhos alternativos para a abordagem de determinados usos da língua.
| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação |
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| Supervisores/Consultores |
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| Data do prémio | 1 jan. 2015 |
| Estado da publicação | Publicado - 2015 |
| Publicado externamente | Sim |
Keywords
- Formação de professores
- Linguística cognitiva
- Ensino de língua portuguesa
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