A crescente tomada de consciência da necessidade de melhoria do desempenho das organizações escolares, perante os desafios de uma escola democratizada e muitas vezes massificada, assim como o aumento dos processos de comparação entre dispositivos educativos, seja a nível nacional seja mesmo a nível internacional, confirmam a incontornabilidade da aplicação de dinamismos de auto-avaliação. De facto, nos últimos anos têm aumentado claramente os casos dessa aplicação, assim como a investigação sobre os respetivos modelos, frequentemente por influência de práticas auto-avaliativas existentes em contexto empresarial. No caso português, estando ainda no início as práticas de aplicação da auto-avaliação escolar, torna-se necessário estudar tudo o que está aí envolvido, para poder implementá-las cada vez com mais compreensão e conhecimento. O presente trabalho pretende ser um pequeno contributo para esse estudo. Para tal, inicia-se com uma síntese das principais teorias da avaliação, inspirando-se sobretudo nos trabalhos de Charles Hadji, sobre o juízo avaliativo e os seus dinamismos, e de Gérard Figari, sobretudo sobre a importância da referencialização para o processo de avaliação. Como se trata de compreender melhor o processo auto-avaliativo de uma escola, o estudo enquadra esse processo no contexto da organização escolar e da sua compreensão fundamental, partindo da teoria das organizações. Pressupondo que a escola seja uma organização muito específica, atravessada por dinamismos complexos, a auto-avaliação que a serve terá que se adequar a essa complexidade organizacional. O estudo concreto que pretende apresentar-se aqui é precedido de uma contextualização no caso português, sobretudo por análise da legislação correspondente e dos modelos e projetos de auto-avaliação já experimentados, assim como de estudos realizados sobre o assunto, em Portugal. O trabalho de campo, enquanto estudo de um caso, pretende compreender melhor os mecanismos da prática auto-avaliativa de um Agrupamento de Escolas. Recorrendo a análise documental, entrevistas e inquéritos, chega-se à perceção do decorrer desse processo, assim como das suas fraquezas e das suas forças. Verifica-se que o processo de auto-avaliação está assumido como positivo e importante pelos elementos envolvidos, manifestando contudo diversas lacunas. Estas são originadas, essencialmente, pela falta de formação, na área, dos elementos da equipa que a dinamizaram, e pela ausência de circunstâncias organizacionais – disponibilidade de tempo e de recursos – que a favoreçam. As práticas já levadas a efeito, contudo, permitem vir a melhorar substancialmente o processo. A aplicação da auto-avaliação encontra-se, pois, em franco processo de aperfeiçoamento.
| Data de atribuição | jun. 2012 |
|---|
| Idioma original | Portuguese |
|---|
| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
|
|---|
| Supervisor | António Sousa Fernandes (Supervisor) |
|---|
- Mestrado em Ciências da Educação: Administração e Organização Escolar
A autoavaliação da escola: estudo de um processo
Duque, O. D. J. D. O. F. (Aluno). jun. 2012
Tese do aluno: Dissertação de mestrado