A coleção científica do museu do ISEP
: abordagem à conservação e restauro a partir de dois casos de estudo: as pilhas de Grenet e Lechanché

  • Guilhermina Maria Rios da Fonseca Salgado Cadeco (Aluno)

Tese do aluno: Dissertação de mestrado

Resumo

Os atuais museus de ciência em Portugal, têm, na sua essência, uma origem semelhante. Os seus acervos constituem-se pelos bens materiais que foram adquiridos durante o processo de criação de institutos politécnicos, antigas escolas industriais e universidades, servindo como materiais de apoio ao ensino. Há, portanto, bastante informação histórica relativa à criação das escolas e respetivos laboratórios criados para o ensino, onde se integram estas coleções. Estes bens incluem material impresso (manuais, publicações e catálogos da época) e equipamentos e objetos científico-didáticos para lecionar a componente prática dos cursos em espaços específicos, denominados de estabelecimentos auxiliares de ensino, e são, sempre que possível, também eles, espólio dos museus. Durante a segunda metade do século XIX houve um investimento considerável para a época de forma a equipar e manter atualizados os gabinetes e laboratórios que auxiliavam as aulas. O museu do ISEP é herdeiro de todos esses instrumentos que refletem o que é, ainda hoje a sua bandeira institucional “saber fazer”. À medida que os equipamentos iam ficando desatualizados, deixando de cumprir a função, eram armazenados e substituídos por novos. Os equipamentos foram guardados sujeitos a três mudanças de espaços físicos que o ISEP sofreu. Conjuntamente com os equipamentos foram guardados também os catálogos, manuais e publicações, tais como os materiais de avaliação dos alunos (exames, provas escritas, de desenho, maquetes, etc.) e toda a documentação associada à escola (correspondência, atas, contratos, matrículas, entre muitos outros), que pertencem hoje ao Arquivo Histórico. A natureza destes acervos técnico-científicos implica um diagnóstico muito complexo que conjuga uma análise do estado de conservação da materialidade das peças, com toda a informação relacionada com a sua produção, uso e desafetação do serviço. Os equipamentos e instrumentos foram sendo guardados sem nenhum tipo de preparação ou inativação. E foi dessa forma que as peças chegaram até nós. Tratam-se, em geral, de peças compostas de diferentes materiais que interagiram ou continuam a interagir entre si, originando patologias muito específicas, que não podem ser resolvidas com a simples transferência procedimental de outras áreas da conservação e restauro. Assim, torna-se necessário averiguar todo o percurso de vida das peças por forma a planificar as distintas abordagens de conservação e restauro e musealização, o que implica o envolvimento geracional da comunidade científica que lhe é inerente, e que se revela crucial na tomada de decisão no processo de seleção e de gestão das intervenções. Por norma, as intervenções realizadas no Museu do ISEP, respeitam critérios de uso, mantendo sempre que possível a identidade de cada peça, ou conjunto, em detrimento de uma apresentação meramente estética. A realização deste trabalho, visa contribuir para traçar diretrizes de intervenção e gestão deste tipo de espólios dada a escassez de informação disponível sobre o assunto em Portugal e na Europa de um modo geral.
Data do prémio29 fev. 2024
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorEduarda Vieira (Supervisor), Paulo Silva (Co-Orientador) & Bruno Campos (Co-Orientador)

Keywords

  • Coleções científicas
  • Museu do ISEP
  • Eletroquímica
  • Pilha de Grenet e Leclanché
  • Conservação

Designação

  • Mestrado em Conservação e Restauro de Bens Culturais

Citação

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