A comunicação de más notícias na perspetiva dos profissionais de saúde

  • Maria Manuel Mateus Marques Claro Lopes (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

A comunicação de más notícias em saúde, concretamente no contexto de doença incurável (de que é exemplo mais flagrante a doença oncológica) é uma das tarefas mais exigentes e complexas que se colocam aos profissionais de saúde. Para além da constatação empírica do facto, numa revisão da literatura pela pesquisa em bases de dados científicas, encontram-se inúmeros testemunhos de doentes que descrevem a forma inadequada como foram informados da sua doença, e a forma como julgam que tal deveria ter sido feito. Poucos estudos se debruçam, contudo, sobre a perspetiva dos profissionais de saúde acerca do mesmo problema, e estes são geralmente qualitativos.
O presente estudo teve por objetivo, compreender e analisar a forma como os profissionais encaram e vivem este problema e se a sua postura perante uma série de questões relacionadas com a transmissão de más notícias aos doentes se altera consoante cenários que os aproximam cada vez mais do doente. Para este efeito foi elaborado um questionário especificamente desenhado para tal, e aplicado por via eletrónica, a médicos e enfermeiros de uma Unidade Local de Saúde, colocando os inquiridos perante três cenários distintos: como transmitir más notícias a um doente hipotético, a um doente com quem o inquirido tenha laços familiares, e finalmente se o doente for o próprio profissional de saúde. Foi ainda incluído nos objetivos, investigar a fundamentação para as dificuldades que os profissionais de saúde reportam, no sentido de as compreender e identificar aspetos a melhorar. Foi constatada uma elevada aderência ao questionário, obtendo-se 248 questionários válidos para análise, fazendo supôr o interesse que o tema suscita, e a motivação para alterar comportamentos. Os dados obtidos confirmaram que a postura dos profissionais de saúde quanto à forma como devem ser transmitidas as más notícias é diferente, consoante se posicionam perante um doente hipotético, um familiar próximo ou eles próprios, consoante o grupo profissional e também é fortemente influenciado pela religiosidade de cada um. Estes achados levam-nos a concluir que a comunicação de más notícias, nomeadamente em contexto de doença incurável, tem que ser individualizada, e o próprio profissional de saúde tem que ser capaz de gerir as suas próprias emoções e vivências relativamente à morte, para conseguir comunicar melhor com os doentes. Este processo pressupõe uma aquisição de competências na área da comunicação que não são habitualmente transmitidas na formação pre-graduada, mas é nesta fase que os profissionais de saúde inquiridos apontam para que se deva promover essa preparação.
Data do prémio29 mai 2014
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorLuís Sá (Supervisor) & Sílvia Coelho (Co-Orientador)

Keywords

  • Comunicação em saúde
  • Questões de fim-de-vida
  • Comunicação de más notícias
  • Revelação
  • Dizer a verdade

Designação

  • Mestrado em Cuidados Paliativos

Citação

'