O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma visão de corresponsabilidade laical mediante a qual a figura do leigo recupere um certo protagonismo na Igreja, sendo chamado à evangelização e, como batizado e participante do múnus de santificar, ensinar e governar, trabalhar em prol do bem da comunidade, sendo-lhe confiada a cura pastoral. Este trabalho é desenvolvido ao longo de três capítulos. No primeiro capítulo procedeu-se à elaboração de um questionário endereçado às dioceses de Portugal, com o objetivo de compreender o desenvolvimento pastoral das mesmas. Das respostas ao questionário, desenrolou-se uma análise aos dados obtidos, concluindo-se que o número de sacerdotes e de novas ordenações presbiterais está a diminuir, não se verificando, mau grado, o efeito contrário no trabalho pastoral confiado aos leigos, mediante ministérios instituídos. No segundo capítulo são apresentados dois desenvolvimentos históricos: a evolução da figura do presbítero ao longo da história da Igreja e o desenvolvimento da figura do leigo ao longo da mesma história. Conclui-se daí que a figura do presbítero vai-se tornando central no desenvolvimento da Igreja, ficando com o centralismo e a centralidade da ação eclesial em suas mãos em detrimento de uma possível cooperação ou corresponsabilidade laical, levando o leigo a cair cada vez mais na inatividade pastoral. Este capítulo termina com uma observação à linguagem e às expressões ainda utilizadas no meio pastoral: “pastor” e “rebanho”. Parecem ser palavras que já perderam a sua força análoga num mundo citadino, tecnológico e empresarial, apresentando-se novas expressões de melhor compreensão e que abrem a possibilidade de um horizonte pastoral marcado pela delegação de funções – “guia” e “colaborador/cooperador”. No terceiro e último capítulo desenvolve-se o tema dos leigos, mas no sentido dos ministérios. Depois de definidos alguns conceitos, procede-se à apresentação dos ministérios atualmente instituídos na Igreja (Acólito, Leitor e Catequista) e de outros ministérios não instituídos, serviços e movimentos que se podem encontrar nas comunidades. Para um maior envolvimento laical, no sentido da corresponsabilidade e colaboração na cura pastoral são propostos novos ministérios instituídos em que, através da instituição, possam abarcar uma maior amplitude da dinâmica pastoral das comunidades. Aborda-se ainda o diaconado permanente com o objetivo de defender que a sua função primordial é a caridade e que, por isso, ele deve ser o responsável pelos Centros Sociais e Paroquiais e das IPSS e demais meios de assistência social. Olha-se ainda, a comunidade, nomeadamente, a figura da comunidade paroquial que, sabendo que nem todos podem exercer ministérios, podem contribuir de forma ativa; a comunidade age, assim, como “avaliadora” da ação pastoral dos agentes responsáveis, sejam eles leigos ou presbíteros, e é voz da promoção e afirmação de idoneidade de candidatos leigos aos ministérios; assume, ainda, corresponsabilidade em serviços mais abrangentes como a limpeza, a oração comunitária, a caridade mútua, entre outros. Por último, aborda-se o papel que a mulher pode desempenhar na Igreja e, de forma mais específica, nas comunidades paroquiais em que, elas, podem e devem assumir corresponsabilidade e cooperação na cura pastoral através dos ministérios instituídos, incluindo os que são aqui propostos.
| Data do prémio | 30 nov. 2022 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Tiago Freitas (Supervisor) |
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- Leigo
- Presbítero
- Cura pastoral
- Corresponsabilidade
- Ministério
- Mestrado Integrado em Teologia
A cura pastoral confiada aos leigos
Nogueira, T. J. F. B. (Aluno). 30 nov. 2022
Tese do aluno: Dissertação de mestrado