Sob o interesse de investigar a formação da escrita de José Saramago (1922-2010), este trabalho dissertativo, numa perspectiva de análise diacrónica e sincrónica, tem como meta analisar, principalmente, a construção dos primeiros romances deste escritor português. Para isso, propomos uma tipologia dos componentes ficcionais e dos recursos lítero-linguísticos, presentes nos escritos produzidos e publicados entre 1947 e 1980, abandonados e ou acentuados, nesta fase inicial, que configuram os aspectos fundacionais de sua obra. E os nossos objetivos são: (i) conceptualizar as mundividências e ambiências, que formaram a escrita saramaguiana, a partir, respectivamente, das noções de narrador e personagem, de tempo e dos espaços, advindos da produção romanesca e da diversidade genológica do escritor; (ii) identificar o processo de ficcionalização da relação história-tempo, intermediada pelas ideias de memória e imaginação, nesse demarcado corpus; (iii) mapear fundamentações sobre intertexto e outras vozes (ecos), e sobre a intertextualidade como operação estético estilística, que foi enredando o percurso inicial das personagens e do narrador, pressupondo-se uma retórica intertextual à Saramago; e (iv) demonstrar uma génese do romance saramaguiano, mediada por comparações, desdobramentos e relações entre os romances (Terra do Pecado, Claraboia, Manual de Pintura e Caligrafia e Levantado do Chão) com outros géneros, nessa fase, e outras narrativas do mesmo género, de outra fases, na medida em que for cabível e válido serem invocados. Numa investigação exploratória e bibliográfica, a presente dissertação se fundamenta, para além da anterior Crítica literária sobre esta fase do escritor e de alguma autorrecensão, numa abordagem estética e teórico-historiográfica, mas também nos estudos sobre texto e intertexto literários, a partir do conceito de memória, a permear tanto a noção de imaginação quanto a de eco, em sublinha a Estética recepcional e a Literatura e Psicanálise. À medida que a escrita se foi formando e encontrando sua voz autoral, o molde (peripatético, fabuloso e intertextual) do romance saramaguiano se foi delineando e ganhando os contornos, que podemos observar, e pelos quais ficou reconhecidoo autor, nos romances de fases posteriores.
| Data de atribuição | 22 jun. 2021 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | José Cândido de Oliveira Martins (Supervisor) |
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- Fase
- Cronótopo
- Memória
- Intertextualidade
- Doutoramento em Literatura Portuguesa
A formação da escrita saramaguiana
Albuquerque, E. B. D. (Aluno). 22 jun. 2021
Tese do aluno: Tese de doutoramento