Esta dissertação nasceu da constatação de que a obra do escritor Ruy Belo é eminentemente dialógica, sendo atravessada por múltiplas referências que continuamente exigem a memória na sua poesia. As evocações a obras do passado e a outros escritores cruzam-se e dissolvem-se com mestria no universo literário, através da utilização de alusões, de referências, de citações, de epígrafes, às vezes de uma forma direta, outras de uma forma indireta. Assim, após a teorização da memória, teceram-se várias considerações sobre a noção, função e manifestações de intertextualidade, algumas influências que marcaram o autor e as vozes de outros poetas a revelarem a determinação dos núcleos estruturantes dessa poética e o estabelecimento do fio condutor da construção do ato poético. Analisou-se o Poema-livro A Margem da Alegria de Ruy Belo, definindo como hipótese de trabalho a existência de uma poética de memória, a par de uma poética que se constrói num constante diálogo de inúmeras vozes, ressaltando, para lá do mito de amor, um espaço reflexivo, através das errâncias do poeta que vive na atualidade e a assinalar que este poeta não se circunscreve a movimentos estéticos, mas antes se enquadra como um poeta de todos os tempos. Também foi abordado o período pós-moderno e apresentação de alguns fragmentos da poética e ensaios do autor onde foi mais visível a memória como “criação” do seu universo literário, na (des)construção de mitos, símbolos, ideias, palavras.
- Intertextualidade
- Memória
- Poesia
- Mito
- Amor
- Morte
- Ruy Belo
- Pós-moderno
- Mestrado em Literatura Portuguesa
A memória na obra de Ruy Belo: A Margem da Alegria
Magalhães, A. I. T. D. S. D. S. (Aluno). 23 jul. 2015
Tese do aluno: Dissertação de mestrado