A representação da doença e o coping na pessoa com tumor do aparelho locomotor

  • Rui Manuel Jarró Margato (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

No âmbito da evidência prática, no contexto da prestação de cuidados a pessoas com tumor do aparelho locomotor, constatamos que a doença oncológica acarreta alterações drásticas no estilo de vida das pessoas, para as quais não estão preparadas, não dispondo de estratégias adequadas para se adaptarem à nova situação de vida. Este processo é brusco e inesperado, sendo influenciado pela representação que as pessoas têm da sua doença. Com este estudo pretendemos conhecer a representação da doença e o coping das pessoas com tumor do aparelho locomotor. O aprofundar do conhecimento sobre a representação da doença, vai permitir identificar focos de atenção de enfermagem no domínio da adaptação, com vista a ajudar as pessoas com tumor do aparelho locomotor no seu processo de transição. Na tentativa de melhor conhecer este fenómeno, realizámos um estudo descritivo-correlacional, através do qual pretendemos compreender a representação da doença nas pessoas com tumor do aparelho locomotor, determinar a existência de relação com as estratégias de coping, com variáveis sócio-demográficas e clínicas. A amostra do estudo é constituída por 64 pessoas com tumor do aparelho locomotor, uma semana após iniciar tratamento com quimioterapia, no período de Janeiro a Junho de 2009, internados no serviço de Ortopedia B - Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).. Desta forma, temos uma amostra não probabilística acidental, constituída por pessoas entre os 40-49 anos, repartidos entre os dois géneros (34 representam o sexo masculino e 30 representam o sexo feminino), com formação do ensino superior (40,60%). Relativamente à categorização profissional, são essencialmente operários especializados e semi-especializados, pequenos comerciantes e proprietários agrícolas, dos quais 67,20% são activos. Apresentam como características clínicas o tempo decorrido após o diagnóstico de tumor, que se situa entre os seis e os dezassete meses (59,40%) e a vivência de experiências de doença oncológica, com familiares (53,90% da amostra). Os sintomas mais frequentemente referidos são os vómitos/náuseas e cansaço, correspondentes a 82,80% da amostra, seguida pela queda de cabelo que corresponde a 62,50% da amostra. Para obtermos uma representação fiável das variáveis em estudo, recorremos a três instrumentos de colheita de dados: o questionário sócio-demográfico, o Revised Illness Perception Questionnaire (IPQ-R) e o Inventário de Resolução de Problemas (IRP). Verificámos que as pessoas da amostra apresentam uma forte representação da doença que explica, através de um modelo de regressão linear, 79,90% das estratégias de coping utilizadas. Neste sentido, as pessoas que têm a percepção de estar a viver uma doença crónica (“Duração aguda/crónica), as que têm a percepção de estar a viver uma doença periódica (“Duração cíclica”) e as pessoas que atribuem significados emotivos à doença (“Representação emocional”), usam mais estratégias de coping no geral, sendo que as estratégias de resolução de problemas mais usadas pelas pessoas da amostra são o “Confronto e resolução activa dos problemas”, as “Estratégias de controlo das emoções” e a “Agressividade internalizada/externalizada”. A representação da doença varia de acordo com o tempo de diagnóstico do tumor, visto que o factor “Coerência da doença” aumenta de acordo com o tempo decorrido após o diagnóstico do tumor e o factor “Representação emocional” diminui à medida que o tempo decorrido após o diagnóstico do tumor aumenta. Verificamos também que a representação da doença se correlaciona negativamente com a idade nos factores “Duração (aguda/cíclica)” e “Controlo pessoal”, ou seja, à medida que a idade aumenta, a representação da doença diminui nos factores “Duração (aguda/cíclica)” e no “Controlo pessoal”.
Data do prémio2010
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorPaulo Joaquim Pina Queirós (Supervisor)

Designação

  • Mestrado em Enfermagem

Citação

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