Nos últimos anos, a espécie Akkermansia muciniphila emergiu como um probiótico de próxima geração, dadas suas relevantes atividades biológicas demonstradas em vários distúrbios intestinais e extraintestinais. Além disso, um dos principais desafios para a indústria tem sido desenvolver sistemas de entrega eficazes para garantir a sua elevada viabilidade e estabilidade durante a produção, tempo de prateleira do produto e após o consumo, especialmente ao longo do trato gastrointestinal. Com base nisso, esta tese teve como objetivo avaliar a potencialidade da A. muciniphila em promover a saúde intestinal, por meio de uma caracterização fenotípica de certas propriedades probióticas, e do desenvolvimento de sistemas de entrega que promovam a sua viabilidade durante o armazenamento sob refrigeração em aerobiose e quando exposto a condições simuladas do trato gastrointestinal. Em primeiro lugar, foi realizada uma caracterização fenotípica da estirpe A. muciniphila DSM 22959, abordando as seguintes propriedades probióticas: hidrofobicidade, habilidades de agregação e melhoria da função de barreira intestinal. A estirpe mostrou baixa hidrofobicidade na superfície celular, enquanto as percentagens de auto-agregação e co-agregação foram semelhantes às obtidas para Lacticaseibacillus rhamnosus GG, estirpe controlo positivo. Em relação ao ensaio de integridade da barreira intestinal, não foi possível tirar conclusões devido à necessidade de otimização do protocolo utilizado. No entanto, há uma aparente resistência da A. muciniphila aos efeitos prejudiciais da E. coli sob as condições testadas. Após a caracterização fenotípica, a encapsulação por extrusão e a incorporação num alimento lácteo foram explorados como vetores tecnológicos para aumentar a viabilidade e estabilidade da A. muciniphila durante o armazenamento refrigerado em aerobiose e quando submetido ao trato gastrointestinal simulado. Verificou-se que, a espécie A. muciniphila foi encapsulada com sucesso na matriz de alginato de cálcio por extrusão (rendimento de 60%) e apresentou elevada estabilidade e viabilidade (aproximadamente 108 UFC/g) após 28 dias de armazenamento a 4ºC em aerobiose. Além disso, à medida que o tempo de armazenamento aumentou, a A. muciniphila encapsulada demonstrou maior viabilidade e estabilidade em condições gastrointestinais quando comparada à forma livre. A incorporação de A. muciniphila na matriz láctea composta por 77% (m/m) de requeijão português e 23% (m/m) de iogurte estilo grego originou um queijo creme probiótico com elevada qualidade microbiológica, baixo teor de fenólicos totais (cerca de 0,36 mg de equivalentes de ácido gálico/g de queijo seco) e importantes atividades biológicas, incluindo antidiabética (98.10% de inibição de α-glucosidase) e anti-hipertensiva (49.18% de inibição da Enzima Conversora de Angiotensina). Simultaneamente, o queijo creme garantiu um elevado nível de viabilidade de A. muciniphila (> 108 UFC/g) durante 21 dias de armazenamento a 4ºC em aerobiose e quando exposto a condições gastrointestinais. Além disso, apresentou um perfil semelhante em termos de textura, cor, atividade de água e pH, quando comparado com o queijo creme de controle/sem bactérias, sugerindo uma elevada aceitabilidade entre os consumidores. Em conclusão, tanto a encapsulação na matriz de alginato de cálcio por extrusão como a incorporação em queijo creme parecem ser estratégias promissoras para proteger a viabilidade da A. muciniphila durante o armazenamento sob refrigeração em aerobiose e quando submetidas a condições gastrointestinais adversas.
- Akkermansia muciniphila
- Queijo creme
- Extrusão
- Condições gastrointestinais simuladas
- Viabilidade
- Mestrado em Microbiologia Aplicada
Akkermansia muciniphila and delivery systems to promote gut health
Fonseca, M. L. D. (Aluno). 2 out. 2023
Tese do aluno: Dissertação de mestrado