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Além dos tratados
: a fiscalidade internacional sem acordos de dupla tributação

  • Maria Roque Félix (Aluno)

Tese do aluno: Dissertação de mestrado

Resumo

A presente dissertação analisa criticamente o papel dos Acordos de Dupla Tributação no contexto da tributação internacional contemporânea, questionando a sua indispensabilidade na prossecução dos principais objetivos da cooperação tributária entre Estados. A investigação parte do pressuposto de que, embora historicamente considerados instrumentos centrais na eliminação da dupla tributação jurídica internacional e na prevenção da evasão fiscal, os Acordos de Dupla Tributação não constituem mecanismos exclusivos ou absolutamente necessários para alcançar esses fins. Através de uma análise crítica e sistematizada, demonstrou-se que existem alternativas viáveis, de natureza unilateral e multilateral, que permitem assegurar a eliminação da dupla tributação, prevenir o planeamento fiscal agressivo, garantir a não discriminação fiscal, facilitar a troca de informações entre administrações tributárias e resolver litígios fiscais transfronteiriços. Neste contexto, são analisadas soluções unilaterais, como os métodos do crédito ou da isenção, as regras CFC, as cláusulas gerais anti abuso, e multilaterais, como as diretivas da União Europeia (nomeadamente, a ATAD, a DAC e a Diretiva 2017/1852), os instrumentos da OCDE, bem como práticas administrativas e jurisdicionais internas com eficácia transfronteiriça. A dissertação dedica especial atenção à conjetura dos países em desenvolvimento, demonstrando como a estrutura convencional dos Acordos de Dupla Tributação, baseada no Modelo da OCDE, favorece desproporcionalmente os Estados exportadores de capital e limita a capacidade de tributação na fonte, com implicações diretas na perda de receitas fiscais. São também abordados casos paradigmáticos, como a denúncia unilateral do Acordo de Dupla Tributação entre a Alemanha e o Brasil e a ausência de convenções entre os Estados Unidos e os países da África Subsariana. Assim, conclui-se que os Acordos de Dupla Tributação devem ser vistos como ferramentas contingentes, cuja celebração deve ser ponderada com base numa análise de custo-benefício, tendo em conta as características económicas e fiscais dos países contratantes, e não como pressupostos incontornáveis de uma ordem fiscal global justa.
Data de atribuição30 jan. 2026
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorBruno Farinha Aniceto da Silva (Supervisor)

ODS da ONU

Esta tese de estudante contribui para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU

  1. ODS 10 - Desigualdades reduzidas
    ODS 10 Desigualdades reduzidas
  2. ODS 16 - Paz, justiça e instituições fortes
    ODS 16 Paz, justiça e instituições fortes

Keywords

  • Dupla tributação internacional
  • Acordos de dupla tributação
  • Métodos unilaterais
  • Relação entre ambos
  • Países em desenvolvimento

Designação

  • Mestrado em Direito

Citação

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