Resumo
Introdução: A COVID-19 (Coronavírus disease 2019) é uma doença altamente infeciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2; OMS 2020). Em 22 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o atual surto de COVID-19 uma pandemia. Apesar dos intensos esforços internacionais para conter a sua disseminação resultou em milhões de casos confirmados, muitos dos quais com sequelas a médio e longo prazo e mais de seis milhões de mortes em todo o mundo, pelo menos até março de 2021. É necessário, assim, compreender o papel que os serviços de cuidados paliativos desempenham na prestação de cuidados de fim de vida neste contexto, identificar o impacto na qualidade de vida dos doentes, as sequelas associadas aos que sobreviveram à doença e quais as variáveis mais relacionadas com o risco de morte e/ou dependências futuras. Metodologia: Estudo retrospetivo quantitativo. Foi inicialmente realizada uma revisão scoping, com o objetivo de uma avaliação preliminar do potencial âmbito e abrangência da literatura disponível subordinada ao tema. De seguida, procedeu-se à análise observacional retrospetiva de uma amostra de doentes com infeção a SARS-Cov-2 durante o seu período de internamento e follow-up em consulta externa da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central. Resultados: Dos 85 indivíduos da amostra quase dois terços tiveram um percurso de tratamento hospitalar com internamento na UCI (Unidade de Cuidados Intensivos) registando-se uma maior incidência da gravidade da infeção nos homens do que nas mulheres. A idade aparece como um fator predominante de gravidade da infeção. Em 96 % dos casos existiu um aumento de uso de recursos de saúde com admissões urgentes não programadas. Da distribuição cumulativa dos sintomas mais de 70% apresentam um mínimo de cinco sintomas dos nove sinalizados. De sublinhar ainda que a insónia, a fadiga e a dor são sistematicamente prevalentes. Quanto ao número de comorbilidades regista-se uma forte correlação positiva com o número de sintomas persistentes, sendo que aproximadamente 38% da variação no número de sintomas pode ser explicada pela variação no número de comorbilidades. De referir ainda que os doentes com obesidade, insuficiência respiratória, asma e diabetes apresentam, comparativamente aos que não apresentam estas comorbilidades, diferenças estatisticamente significativas no número de sintomas persistentes. A identificação de futura necessidade paliativa pelos profissionais de saúde, que acompanharam os doentes no pós-alta e na consulta de follow-up ou em outras consultas na instituição é mínima, com consequências negativas na qualidade de vida dos doentes da amostra. Conclusões: A pandemia proporcionou uma oportunidade para repensar o planeamento de serviços de saúde de cuidados avançados e em que o ponto de partida para qualquer discussão devem ser sempre os valores e prioridades dos próprios doentes, com particular enfâse para os doentes que possam vir a apresentar no futuro necessidades paliativas. Podem existir igualmente desafios específicos, em particular na abordagem dos doentes com infeção a SARS-Cov-2 que podem introduzir novos debates sobre o follow-up destes doentes. Por último, apresenta-se uma reflexão final que incorpora uma proposta de plano de ação de cuidados paliativos estruturado em três fases sequenciais.| Data de atribuição | 17 dez. 2024 |
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| Idioma original | Portuguese |
| Instituição de premiação |
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| Supervisor | Amélia Feliciano (Supervisor) |
ODS da ONU
Esta tese de estudante contribui para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU
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ODS 3 Boa saúde e bem-estar
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ODS 4 Educação de qualidade
Keywords
- Cuidados paliativos
- Infeção a SARS-Cov-2
- Síndrome pós COVID
- Pandemia
- Profissionais de saúde
- Alentejo
Designação
- Mestrado em Cuidados Paliativos
Citação
- Standard