A vaginose bacteriana corresponde ao distúrbio mais comum nas mulheres, tendo um impacto importante em todo o Mundo. Estima-se que afecta cerca de 30-50% das mulheres Afro-Americanas e 10-20% das mulheres Caucasianas em idade reprodutiva. Associado ao aparecimento de vaginose bacteriana, verifica-se um decréscimo do número de Lactobacillus spp. no epitélio com consequente aumento do número de microrganismos anaeróbios, tais como Gardnerella vaginalis e Atopobium vaginae. Embora comumente associada à vaginose bacteriana, G. vaginalis foi também identificada no epitélio vaginal de mulheres saudáveis, mas em menores números.O crescimento de G. vaginalis pode ser identificado por beta hemólise, Gram-variável, oxidase e catalase negativa (testes microbiológicos convencionais) e ainda através de técnicas moleculares. O principal objectivo deste projecto foi a identificação de A. vaginae e G. vaginalis na microflora vaginal de mulheres Portuguesas, saudáveis ou já diagnosticadas, à priori, como portadoras de vaginose bacteriana; através de métodos moleculares. O principal interesse no estudo destes microrganismos deveu-se ao facto de serem, nos últimos anos, os mais usualmente isolados de casos de vaginose bacteriana. Gardnerella vaginalis e, mais recentemente, A. vaginae são dois microrganismos inicialmente associados a vaginose mas actualmente identificados em mulheres saudáveis. Em Portugal, o primeiro e único estudo associado a vaginose remonta de 1998, o que justifica a importância dos dados obtidos neste estudo. Neste sentido, o estudo envolveu a recepção de amostras clínicas obtidas por auto-colheita de mulheres saudáveis, em consultório de ginecologia ou mesmo nas emergências do Hospital de Braga, e posterior tratamento das amostras. A caracterização foi levada a cabo por métodos moleculares como Reacção em Cadeia da Polimerase (PCR) e Microscopia Fluorescente com Hibridação in situ (FISH). Os resultados demonstraram, através de métodos moleculares, que das cinquenta e sete amostras recolhidas de mulheres Portuguesas e associadas a este projecto, G. vaginalis foi identificada em dezasseis amostras, o que corresponde a 28% do número total de amostras. Atopobium vaginae foi apenas encontrado em cinco casos o que corresponde a 8% das mesmas. Em suma, as técnicas moleculares permitiram a identificação directa de parte dos microrganismos presentes nas zaragatoas, sendo assim possível concluir que G. vaginalis and A. vaginae não estão unicamente associadas a vaginose bacteriana mas também estão presentes, em diferentes proporções, em mulheres Portuguesas saudáveis.
| Data de atribuição | 2012 |
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| Idioma original | English |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Nuno Cerca (Supervisor) & Maria Manuela Pintado (Co-Orientador) |
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- Vaginose bacteriana
- Amostras clínicas
- Gardnerella vaginalis
- Atopobium vaginae
- Lactobacillus spp
- Métodos moleculares
- Interacção
- Cultura
- Mestrado em Microbiologia Aplicada
Bacterial vaginosis in Portugal: diagnosis of Gardnerella vaginalis and Atopobium vaginae in healthy or symptomatic women
Silva, D. S. D. (Aluno). 2012
Tese do aluno: Dissertação de mestrado