Criação e avaliação de um programa de intervenção em enfermagem de estomaterapia
: contributos na adaptação à ostomia e qualidade de vida

Título traduzido da tese: Creation and evaluation of an enterostomal therapist nursing intervention program: contributions to ostomy adaptation and quality of life
  • Clementina dos Prazeres Fernandes de Sousa (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

A ostomia de eliminação (OdE) confronta a pessoa com mudanças nas suas dinâmicas quotidianas, em que projetos de vida poderão ter de ser reorientados, na procura da melhor adaptação física, emocional, familiar e social. O processo de transição nem sempre é fácil e favoravelmente ultrapassado, pelo que o cuidado de enfermagem em estomaterapia constitui um importante recurso para ajudar as pessoas a gerir os novos desafios, conseguir adaptar-se e experienciar melhor qualidade de vida (QdV). Constituíram-se como objetivos principais, criar um programa de intervenção de enfermagem em estomaterapia (PIEE), implementá-lo em pessoas com OdE e avaliar os seus efeitos na QdV e na adaptação à ostomia, através de quatro estudos. No primeiro estudo, identificaram-se áreas sensíveis à intervenção de enfermagem, que podem estar afetadas nas pessoas com OdE, e discrepâncias entre a necessidade de cuidados e a resposta dos enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), influenciando a decisão de construir o PIEE, no estudo seguinte, estruturado em torno de seis focos relevantes da prática clínica em estomaterapia (Autocuidado, Autoconceito, Aceitação, Interação Social, Interação Sexual e Esperança). No terceiro estudo, criámos um instrumento que fosse sensível às intervenções de enfermagem na promoção da adaptação à OdE, que utilizámos no quarto estudo. A análise das suas propriedades métricas revelou critérios de validade e fiabilidade aceitáveis, podendo constituir uma ferramenta útil na prática e na investigação em enfermagem. No último estudo, implementámos e avaliámos os efeitos do PIEE na adaptação e QdV das pessoas com OdE. Para tal desenhámos um estudo quasi-experimental, com uma amostra de 105 pessoas com OdE, distribuídas por um grupo de intervenção (GI), sujeito ao PIEE, e um grupo de controlo (GC), constituídos em hospitais com e sem consulta de enfermagem de estomaterapia, respetivamente. A recolha de dados ocorreu um e seis meses após a alta hospitalar, usando como instrumentos, um questionário construído para o efeito, o Índice de Qualidade de Vida-Ostomia, traduzido e validado para a população portuguesa, e a Escala de Adaptação à Ostomia de Eliminação, criada no terceiro estudo. Os resultados indicaram que, no primeiro mês, a QdV e a adaptação à ostomia percebidas eram idênticas e satisfatórias em ambos os grupos. Ao sexto mês, a perceção de QdV e de adaptação à ostomia no GI era significativamente melhor do que no GC e do que nos dois grupos no primeiro mês. No GC não se constataram mudanças entre o primeiro e o segundo momento. Em síntese, intervenções sistemáticas do enfermeiro em estomaterapia, que se prolonguem no tempo, mostraram ter efeitos no processo de transição, pelo desenvolvimento da proficiência no autocuidado à ostomia, estimulação da autoconfiança e procura de recursos disponíveis, refletindo-se favoravelmente na perceção de QdV.
Data do prémio1 jun 2018
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorCélia Samarina Vilaça de Brito Santos (Supervisor)

Keywords

  • Ostomia de eliminação
  • Programa de intervenção
  • Enfermagem em estomaterapia
  • Transição
  • Qualidade de vida
  • Adaptação

Designação

  • Doutoramento em Enfermagem

Citação

'