O envelhecimento demográfico e as alterações no padrão comportamental, estrutural e epidemiológico das famílias na sociedade, têm vindo a determinar novas necessidades em saúde, para as quais emerge organizar respostas mais adequadas. Para além da tradição cultural portuguesa, também as políticas de saúde e sociais aconselham a manutenção da pessoa idosa e dependente no domicílio, o que leva à diminuição de custos económicos associados a internamentos para o SNS, mas também ao aumento da qualidade emocional do próprio utente que assim se encontra rodeado por quem lhe é querido. Os profissionais de saúde e de um modo particular, os cuidados de saúde primários, devem desenvolver respostas ajustadas às necessidades de cuidados específicos dos utentes e das suas famílias prestadoras de cuidados, numa abordagem compreensiva e multidimensional, pois grande parte destes cuidadores, por diversos fatores intrínsecos ao cuidar, sentem-se incapazes de lidar com a dependência física e mental do individuo alvo de atenção, o que resulta em sobrecarga do prestador de cuidados informal. A enfermagem comunitária tem no seu contributo, uma mais-valia na sua intervenção, uma vez que com recurso à metodologia do planeamento em saúde, promove a monitorização do estado de saúde de uma população, desenvolvendo estratégias de intervenção, promovendo a capacitação para redução dos seus próprios problemas e necessidades. Estabelece, também a articulação e parcerias com os recursos existentes na comunidade, com vista à obtenção de ganhos em saúde. O projeto desenvolvido ao longo de todo o estágio baseou-se no referencial teórico que assenta no modelo conceptual de sistemas de Betty Neuman. O seu principal objetivo foi capacitar ao nível de conhecimento, do apoio psicológico e social os cuidadores informais, de acordo com as necessidades identificadas, para assim, diminuir os seus níveis de sobrecarga. O enfermeiro especialista em enfermagem comunitária, deverá conhecer a família e as suas necessidades para potenciar o exercício saudável e competente do papel de prestador de cuidados, pois uma família capacitada pode: defender os seus direitos, minimizar o stress, evitando a sobrecarga do cuidador; garantir cuidados de qualidade para o seu familiar doente e estar efetivamente incluída no processo de cuidar. Esta realidade tem levado a uma maior consciencialização da importância da manutenção da qualidade de vida de quem é cuidado, mas também de quem cuida, pois, o seu contributo é fundamental. Nunca esquecendo que quem cuida, também envelhece com todo o desgaste físico, psicológico e social, o cuidador informal deve emergir como foco de atenção para que o seu envelhecer seja com saúde, autonomia e independência, o mais tempo possível, e constitui, assim, hoje, um desafio à responsabilidade individual e coletiva, com tradução significativa no desenvolvimento económico dos países.
| Data de atribuição | 29 out. 2019 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Amélia Simões Figueiredo (Supervisor) |
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- Cuidador informal
- Idoso
- Necessidades
- Enfermagem comunitária
Cuidar de quem cuida: intervenção do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária
Dias, M. S. (Aluno). 29 out. 2019
Tese do aluno: Dissertação de mestrado