O relatório que agora se apresenta sustenta-se na pesquisa diversificada abaixo inserta – nos conceitos que foram as ferramentas de leitura da realidade e os pressupostos de interpretação dessa vivência – e do percecionado e apreendido, ao longo dos anos, em contexto da Comunidade Educativa – aplicação dos conceitos teóricos à interpretação da realidade –, nomeadamente na Escola Secundária Rocha Peixoto, aqui, ao espelho e numa lógica de relação escola-comunidade. Mobilizada a prática pedagógica e relacional, por via da reflexão sobre a ação, percebemos a importância do marketing educacional e empreendemos uma atitude positiva de divulgação e de marca do projeto educativo que anima a nossa escola. A globalização, a mundialização da economia e das tecnologias de informação e de comunicação, bem como, a produção dos seus efeitos na comunidade, nomeadamente a célere mudança daí decorrente, relevou os sistemas económicos em detrimento das representações ideológicas. Se, numa primeira fase, obrigou a assunção do papel intervencionista do Estado o facto é que, depois, liberou-o, progressivamente, por força dos efeitos da competitividade mundial. A ética suportada numa consciência axiológica normativa que se adequou àquela mudança, autorregulou-se e, embora com mais conhecimentos, o Ser humano vulnerabilizou-se, sendo a solidariedade preterida em favor do egocentrismo, do individualismo, do ter em detrimento do ser. O “eu” postergou o “todo”, assistindo-se a uma maior complexidade relacional, em que as famílias e a Escola – os seus agentes – são, na sua atuação, o seu reflexo. E, apesar de a escola ser, ainda, por excelência, o espaço de transformação social, não pode tudo. A consciência clara dos obstáculos encontrados não deslegitima o projeto, pois o Fim – uma educação para todos – é uma condição do progresso social, promessa que remonta à Declaração dos Direitos Universais do Homem A reflexão incide, no essencial, sobre quem somos, qual o nosso percurso e o caminho que ousamos cursar para dignificar a escola. Naturalmente, o que somos resulta de um processo de crescimento e de aprendizagem em que o ambiente e as relações interpessoais, nos grupos informais e formais, são responsáveis pela prossecução da missão que assumimos há já muitos anos. A opção pelas Ciências Experimentais traduziu, na verdade, “quem eu era”, pelo que a curiosidade, a persistência, a pesquisa e a intencionalidade do contributo para a evolução/mudança, foram a génese da motivação subjacente ao seguimento inovado de funções exercidas cuja pretensão, ora enriquecida pela contínua aprendizagem, se impunha levar a cabo. No percurso profissional evidencio que nas turmas que me são atribuídas lecionar, o que mais me gratifica e enriquece é a possibilidade de fazer despertar o gosto pela descoberta e pela pesquisa. Acredito que as competências se desenvolvem e, nessa perspetiva, privilegio o debate, a participação e o desenvolvimento de um conhecimento assente numa matriz de aprendizagem significativa e de atitudes positivas e ativas. Em termos didáticos, tenho vindo a lecionar maioritariamente turmas do ensino secundário (Física e Química - 10º, 11º ano; Física - 12ºano, Área de Projeto - 12ºano). Mas, há três anos para cá e, por opção pessoal, retomei, também, o ensino básico. No campo da gestão escolar, há já 20 anos que assumo cargos de liderança (intermédia ou de direção - vogal do Conselho Diretivo, assessora do Conselho Executivo e adjunta do Diretor). Desafios exigentes, mas, mesmo assim, intercalados por outras tarefas - Coordenadora de Área de Projeto, Coordenadora de minigrupos disciplinares, Diretora de Turma, Coordenadora do Secretariado de Exames, Coordenadora do “Programa Aves”1, Coordenadora do projeto “Testes Intermédios”2, Coordenadora de Provas Comuns/Provas de monitorização3. Acionar e desenvolver a relação Escola/Comunidade é uma situação-problema que convoca sobremaneira qualquer comunidade escolar. E, no desejo de melhor promover essa relação, a escola, desde o ano letivo de 2006/2007, instituiu o dia 18 de maio como o “Dia da Escola”. Uma iniciativa que visa partilhar com a comunidade a vida da escola, numa atitude de reconhecimento e de valorização dos alunos e, obviamente, do seu projeto educativo. Nesse sentido, foi criada uma comissão de organização, da qual faço parte, e cuja missão é espelhar e intensificar, autorregulando, a ligação Escola/Comunidade mediante a publicação da revista “A Rocha”. A descontinuidade cultural entre a escola e a família foi considerada como um fator relevante do insucesso escolar (Heath, 1982; Ogbu,1978; Seeley, 1985). Para Teixeira (1995, p. 5), “de entre as organizações que estruturam a nossa sociedade, a organização escola é uma das mais relevantes já que, de alguma maneira, irá ter influência sobre todas as outras”. Segundo esta autora, “todos são, em alguma medida, o fruto da organização escola que, ao menos em parte, lhes modelou o pensamento” (idem). A escola constitui, portanto, um quadro de ação para todos eles (idem, p. 146). Para além dos alunos, os professores, o pessoal não docente, temos os pais e encarregados de educação, bem como os representantes das autarquias e da comunidade local. A comunidade educativa é o conjunto do pessoal docente e não docente de uma Escola ou Centro Educativo e os seus alunos e encarregados de educação e respetivas associações. (…) São ainda parte da comunidade educativa, os representantes das organizações e associações que desenvolvam atividades sociais, económicas, culturais e científicas e estejam interessadas no processo educativo (Formosinho, Fernandes e Lima, 1988, p. 176). A partilha e a participação de todos para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos alunos são cruciais, permitindo o melhor planeamento de aprendizagens e uma maior adequação às expetativas e aspirações das próprias famílias. Concluir-se-á, então, que a reflexão sobre a ação nos possibilita, para além da explicação do agir, a compreensão da amplitude das consequências dos procedimentos implementados, a curto e a longo prazo, e, ainda, como seres de projeto que enquanto professores somos, a planificação consequente de um futuro que desejamos. Com esta investigação assumir-se-á, também, que, embora o reflexo da Escola Rocha Peixoto no espelho seja positivo e coerente, os objetivos expressos, igualmente, no projeto educativo não são definitivamente alcançados (pura ilusão!), implicando, antes, a contínua reformulação/adequação aos anseios e à evolução da comunidade, o que pressupõe um processo de marketing educacional que se requer, pois, inovador.
| Data de atribuição | 2012 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Cristina Palmeirão (Supervisor) |
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