Escala e qualidade na produção de vinho
: caso dos Vinhos do Dão

  • Luana Sylvie Vincenza Di Rollo (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

Neste trabalho final de mestrado pretende-se dar resposta à questão “Existe alguma relação causal entre a escala de produção vinícola e a qualidade dos vinhos produzidos?”. Para tal, realizamos uma investigação focada nos vinhos que a Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVRD) certificou (ou não), mais especificamente aqueles cuja certificação pretendida foi a Denominação de Origem (DO) Dão, e foi pedida pelos produtores entre os anos de 2010 a 2014. De forma a possibilitar o desenvolvimento desta investigação foi necessário, numa fase inicial, uma compreensão do funcionamento do sector vitivinícola de forma a podermos definir com conhecimento de causa as variáveis que deveriam ser utilizadas para representar os conceitos em estudo, escala de produção e qualidade do vinho produzido. Os agentes económicos que pretendem certificar os seus vinhos pela CVRD são sujeitos a um rigoroso controlo, nomeadamente o das suas instalações produtivas (adegas e armazéns), onde, entre outros aspetos, é avaliada e medida a capacidade de armazenagem de vinho e derivados. Assumimos esta variável, capacidade de armazenamento, como proxy da escala de produção de cada agente económico produtor de vinho DO Dão. Da análise do processo de certificação dos vinhos, concluímos que uma das principais etapas do mesmo passa pela avaliação sensorial de amostras de lotes de vinho, através do qual a Câmara de Provadores da CVRD atribui uma classificação a cada lote de vinho candidato a certificação, classificação essa que assumimos como a nossa proxy da qualidade de cada lote submetido ao processo de certificação. Percebemos rapidamente que poderiam ser muitos os fatores com potencial de influencia na qualidade dos vinhos, para além da escala de produção. Apesar viii de não ser a prioridade da nossa investigação, consideramos relevante introduzir alguns desses fatores no nosso modelo de forma a controlar a influência dos mesmos na qualidade dos vinhos e dessa forma garantir que a influência eventualmente encontrada na capacidade não mascarava outros efeitos não controlados. São esses outros fatores a sub-região do Dão onde foram cultivadas as uvas utilizadas na produção do vinho, o ano de colheita dessas uvas, a idade do lote no final do processo de certificação e a tipologia do produtor que desenvolveu o vinho. Foi com recurso a um modelo de regressão linear multivariada que nos foi possível obter resultados quantitativos que oferecessem uma resposta à nossa questão de investigação e que identificamos os fatores, para além da escala de produção, com influencia significativa na qualidade dos vinhos produzidos. Os resultados obtidos foram diferentes para os vinhos DO Dão tintos e brancos, os dois casos que estudamos no decurso da nossa investigação, por termos expectativas de influência de sinal diferente da escala na qualidade para uns e para outros. A principal conclusão obtida através da resolução do nosso modelo de regressão linear é que existe uma relação negativa entre a escala de produção e a qualidade do vinho tinto. No caso do vinho branco, tal relação não foi comprovada devido à insignificância dos resultados obtidos. Um fator que comprovou ter um impacto significativo na qualidade dos vinhos, tintos e brancos, foi a idade do lote que parece ter uma relação positiva com a variável explicada em estudo.
Data do prémio13 jul 2020
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorMiguel Sottomayor (Supervisor)

Keywords

  • Escala
  • Qualidade
  • Vinho
  • Regressão linear
  • Denominação de origem

Designação

  • Mestrado em Economia Empresarial

Citação

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