Experiências de elevada adversidade e o coping
: um estudo com estudantes do ensino superior

  • Débora Catarina Lima Passos (Aluno)

Tese do aluno: Dissertação de mestrado

Resumo

Durante o processo de desenvolvimento, os seres humanos vêm-se obrigados a enfrentar uma variedade de desafios e situações de elevada adversidade. Todavia, cada indivíduo apresenta diferentes perspetivas na perceção dessas experiências e na adoção de estratégias de coping para enfrentar as consequências negativas de tais situações. A presente investigação tem como objetivo averiguar quais as experiências que os estudantes do ensino superior portugueses identificam como sendo de elevada adversidade e conhecer as estratégias de coping que tendencialmente adotam para lidar com estas experiências. A amostra foi recolhida através de um questionário online, disseminado durante os meses de Maio e Junho de 2024, tendo como alvo, indivíduos de qualquer género, com idades entre 18 e 30 anos, estudantes do ensino superior que não estivessem a cursar Psicologia. Um total de 154 participantes acederam ao questionário, no entanto, para análise descritiva das variáveis sociodemográfica apenas 57 participantes foram incluídos. Por não cumprirem os critérios de inclusão e por termos obtido um número considerável de valores omissos, a amostra analítica totalizou 36 participantes. Como método de recolha de dados, utilizamos um questionário realizado pela equipa de investigação, desenvolvido na plataforma Qualtrics, que integra os questionários Check List de Experiências de Elevada Adversidade e Brief COPE. A informação quantitativa foi analisada com recurso ao SPSS (Versão 28.0), realizando-se análises descritivas das variáveis e averiguando-se a relação entre estas com diferentes testes estatísticos não paramétricos: Kruskal-Wallis, Mann-Whitney e Teste Exato de Fisher. Neste âmbito, as experiências mais frequentemente reportadas pelos estudantes incidiram no término de relações amorosas (16.7%), exposição a violência intrafamiliar (13.9%) e pandemia de Covid-19 (13.9%). Com relação às estratégias de coping, verificamos que a autodistração é a estratégia mais utilizada pelos estudantes para lidar com as experiências mais frequentemente vivenciadas em detrimento da negação. Porém, a adoção da estratégia Humor evidenciou uma média superior para a experiência adversa Covid-19, por comparação com a experiência Término de relações amorosas e Exposição a violência intrafamiliar, constituindo-se esta, como a única diferença estatisticamente significativa (p=.032). Apuramos ainda que, os estudantes percecionam as estratégias que adotam como eficazes, destacando-se adoção das estratégias reinterpretação positiva (Mediana=4.00), humor (Mediana=3.00) e autoculpabilização (Mediana= 2.50). E que, cerca de 86.1% dos participantes consideraram que o fator idade influenciou a adoção de estratégias de coping. Em conclusão, os resultados deste estudo indicam que as estratégias de coping adotadas pelos estudantes variam em função do tipo de experiência adversa vivida, mas não variam significativamente entre géneros ou faixas etárias. Ao que consideramos que, os estudantes demonstram flexibilidade ao adaptar as suas estratégias de coping em função da adversidade enfrentada, podendo este ser interpretado como um indicador positivo de resiliência e capacidade de adaptação.
Data do prémio9 jul. 2024
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorCatarina Ribeiro (Supervisor) & Diogo Costa (Supervisor)

Keywords

  • Experiência de elevada adversidade
  • Estratégias de coping
  • Estudantes do ensino superior

Designação

  • Mestrado em Psicologia

Citação

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