A anemia de Fanconi (AF) é uma doença rara, de transmissão autossómica recessiva ou ligada ao X, geneticamente e fenotipicamente heterogénea, caracterizada por instabilidade cromossómica (IC), falência da medula óssea e predisposição para o cancro. A doença manifesta-se quando existem mutações em qualquer um dos 15 genes já identificados. A sua variabilidade fenotípica dificulta o diagnóstico com base nas características clínicas, sendo necessário a realização de testes laboratoriais para sua confirmação, como seja, a deteção de IC induzida por diepoxibutano (DEB) em culturas de linfócitos de sangue periférico (SP). A quantificação, por citometria de fluxo (CF), da percentagem de células acumuladas nas fases G2/M do ciclo celular, foi apontada como um método complementar de diagnóstico. No entanto, estes testes podem não ser sensíveis para os casos de mosaicismo, ou seja, nas situações em que há reversão das células hematopoiéticas com mutação AF, para um fenótipo normal. Nestas situações, devem então ser feitos esses mesmos testes em culturas de fibroblastos, onde não existe reversão, procedimentos laboratoriais que até ao momento não estavam disponíveis no Laboratório de Citogenética do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS/UP). Assim, os objetivos deste trabalho foram a caracterização da população de pacientes com AF, estudada no Laboratório de Citogenética do ICBAS/UP, relativamente à frequência de mosaicismo, e a implementação da técnica de cultura de fibroblastos, seguida de estudos de IC e do ciclo celular, realizada com a colaboração do Laboratório de Citometria do Serviço de Hematologia Clínica do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto. Dos 233 pacientes avaliados para IC no SP, 39 foram diagnosticados como pacientes com AF, e destes 13% foram caracterizados como mosaicos, valor este, que por si só já justifica a importância de implementar a técnica de análise da IC em fibroblastos. Esta foi implementada a partir de amostras de fibroblastos cutâneos de 6 indivíduos saudáveis e 2 pacientes enviados para exclusão de AF, em que não foi confirmado este diagnóstico. Os resultados obtidos nos fibroblastos, tanto para a IC induzida por DEB como para a acumulação de células em G2/M, estudada por CF, estão de acordo com os resultados descritos na literatura para controlos e pacientes não AF. Conseguiu-se então implementar, pela primeira vez e com sucesso, o protocolo de cultura de fibroblastos e o protocolo de análise do ciclo celular dos fibroblastos por CF. Contudo, o sucesso total do protocolo para o diagnóstico de AF requer ainda confirmação em amostras de fibroblastos de pacientes com AF, as quais não foram possíveis obter durante o período de execução deste trabalho, uma vez que se trata de uma doença rara.
| Data de atribuição | set. 2012 |
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| Idioma original | Português |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Beatriz Porto (Orientador) |
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- Mestrado em Análises Clínicas e Saúde Pública
Instabilidade cromossómica induzida pelo diepoxibutano (DEB) em fibroblastos cutâneos para diagnóstico da anemia de Fanconi
Leite, M. D. F. D. S. (Aluno). set. 2012
Tese do aluno: Dissertação de mestrado