Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa
: origem e evolução : motivação, formação, legislação, condições de trabalho, carreira e intervenção

  • Vânia do Carmo Sousa Lourenço (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

A pesquisa realizada baseia-se na recolha de informação sobre a profissão deIntérprete de Língua Gestual Portuguesa (ILGP). Considera-se ILGP o profissional quefaz a ponte de comunicação entre a comunidade surda e ouvinte, podendo atuar emdiversos contextos. Mas qual é a sua história? Pretende-se, com este estudo, fazer umbalanço histórico quanto à origem e evolução dos ILGP tendo em conta os seguintesparâmetros: motivação, formação, legislação, condições de trabalho, carreira eintervenção. Este trabalho apresenta a investigação entre o passado e o presente com vistano futuro, com referências teóricas, mas também com a aplicação deinquéritos/entrevistas a ILGP com experiência profissional.O facto de as Associações de surdos tomarem a iniciativa de promover cursosprofissionais e também as experiências noutros países, permitiram novas aprendizagens.A abertura de cursos superiores em Tradução e Interpretação de LGP, nomeadamente,Setúbal, Porto e Coimbra, possibilitou que novas gerações se candidatassem a este tipode formação académica.A Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal abriu o seucurso para formação de ILGP em 1997. É, portanto, a instituição mais antiga a instruirprofissionais.A profissão de ILGP é algo desafiante, mas também gratificante, na qual énecessário ter gosto pela profissão, manter-se atualizado e informado. O contacto com acomunidade surda é essencial, tal como a aprendizagem entre colegas. O respeito poraquilo que se faz e pelo outro são aspetos a ter em consideração. De igual modo, todosos momentos de atuação por parte do ILGP são de grande responsabilidade, mas haverácertamente, maior dificuldade em áreas onde a terminologia seja muito específica ou nãoexista tempo de preparação.Apesar de maior parte dos profissionais atuar em contexto escolar, o ensinosuperior, por exemplo, ainda tem lacunas no que concerne à contratação de ILGP. Amaioria dos serviços públicos continua a ser uma problemática, uma vez que ainda nãodispõem permanentemente de ILGP, como é o caso dos setores hospitalares e centros desaúde.A Lei de 89/99 de 5 de julho é a única existente no âmbito da profissão de ILGP,que regulamenta o exercício da profissão. Com vinte anos de publicação, é urgente umanova regulamentação mais detalhada, com situações que à data não foram previstas.Quanto ao Código de Ética e Linhas de Conduta do Intérprete de Língua GestualPortuguesa, o primeiro documento foi criado em 1991 pela Associação de Intérpretes deLíngua Gestual Portuguesa (AILGP). O intuito foi especificar melhor determinadoscontextos onde se verificava a presença do ILGP, por exemplo, educativo ou televisivo.Em 2012, a Associação Nacional e Profissional da Interpretação – Língua Gestual(ANAPI-LG) elaborou a primeira revisão, sucedendo-se outras mais. Existem associações, já referidas, que representam estes profissionais. Com cooperação e voz ativa entre toda a comunidade surda, é possível alcançar maior igualdade de direitos e maior visibilidade para todos os usuários desta língua .O ILGP trabalha diariamente com uma língua viva, requerendo por isso, esforço e valorização, não só profissional como pessoal. Quanto ao futuro, prevê-se a união de todos, cujo alcance será melhorar as condições de trabalho e o respeito pela profissão.
Data do prémio14 out. 2021
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorMaria José Freire (Co-Orientador) & Ana Mineiro (Supervisor)

Keywords

  • Intérprete de Língua Gestual Portuguesa
  • História
  • Motivação
  • Formação
  • Legislação
  • Condições de trabalho
  • Intervenção
  • Valorização profissional

Designação

  • Mestrado em Língua Gestual Portuguesa e Educação de Surdos

Citação

'