Listeriosis and Listeria monocytogenes in Portugal
: from surveillance studies to persistence in food processing plants

Tese do aluno

Resumo

Listeria monocytogenes é uma bactéria patogénica capaz de causar infeções graves no Homem (listeriose), principalmente, após a ingestão de alimentos com ela contaminados, sobretudo em determinados grupos de risco para a infeção: idosos, imunocomprometidos e mulheres grávidas. A sua distribuição ubiquitária e capacidade de adaptação e de sobrevivência em condições extremas (por exemplo, temperaturas de refrigeração, ampla gama de valores de pH e elevadas concentrações de sal), faz com que este agente seja de difícil eliminação e controlo em ambientes de processamento alimentar. A presença de L. monocytogenes em alimentos prontos-a-comer que suportam o seu crescimento deve ser encarada como uma situação grave. Uma das princípais fontes de contaminação de alimentos é contaminação cruzada através dos equipamentos e do ambiente de processamento em geral. Algumas estirpes podem persistir no ambiente de processamento ao longo de vários meses/anos, enquanto outras são isoladas apenas esporadicamente. Embora seja, em geral, aceite que estas estirpes possuem características particulares que contribuem para a sua persistência no ambiente de processamento, as características específicas que lhes conferem melhor sobrevivência/adaptação nestes ambientes não são claras, apesar de serem essenciais para o estabelecimento de medidas preventivas. Estudos anteriores realizados no CBQF (Centro de Biotecnologia e Química Fina) demonstraram que estirpes isoladas de casos humanos de listeriose também foram isoladas de queijos e na industria de processamento de queijo. Este trabalho teve como objetivo global integrar investigação aplicada e atividades de extensão com vista a aumentar o conhecimento sobre a persistência de L. monocytogenes no ambiente de processamento de alimentos e definir estratégias para o seu controlo e monitorizar os casos de listeriose em Portugal. Entre 2008 e 2012 foram recolhidas nos principais hospitais portugueses informações sobre casos de listeriose, e quando possível, recolhidos os isolados responsáveis pela infeção. Foram detetados, pelos menos, 203 casos de listeriose. A incidência anual da infeção variou entre 0,2 e 0,7 casos por 100.000 habitantes. A média de idade para os casos não-maternais/neonatais foi de 59 anos e, em 46,4% dos casos, a infecção ocorreu em pacientes com idade superior a 65 anos. Os isolados clínicos foram caracterizados por genoserotipagem, resistência ao arsênico e cádmio e macrorestrição de DNA e análise por eletroforese em campo pulsado. As concentrações mínimas inibitórias de vários antibióticos foi também determinada. Foram detectados vários clusters de isolados que apresentaram diferentes distribuições geográficas e temporais. A incidência de isolados de L. monocytogenes resistentes aos antibióticos foi baixa, mas significativamente maior do que em anos anteriores (2003-2007). Este estudo, envolvendo 25 hospitais nacionais, levou à detecção de um surto que ocorreu entre março de 2009 e fevereiro de 2012. Dos 30 casos de listeriose relatados, 27 foram detetados na região de Lisboa e Vale do Tejo. A taxa de mortalidade foi de 36,7%. Todos os casos foram causados por isolados pertencentes ao serogrupo molecular IVb, com perfis de PFGE e ribótipos indistinguíveis. A investigação deste surto, realizada em colaboração com as autoridades nacionais de saúde e de segurança alimentar, levou à identificado de queijo de uma unidade de produção como a fonte provável de infecção. Um estudo longitudinal realizado anteriormente pela nossa equipa de investigação identificou persistência em duas fabricas de processamento de queijo. Para este estudo, foi selecionado um grupo de 41 isolados, incluindo estirpes persistentes e não persistentes. O efeito de diferentes condições, incluindo diferentes temperaturas (37 °C, 22 ° C, e 4 ° C), diferentes concentrações de NaCl (2,5%, 4%, e 8%), e baixo valor de pH (pH = 5), no crescimento de isolados persistentes e não-persistentes de L. monocytogenes foi determinada; a resistência a dois desinfectantes comuns, cloreto de benzalcónio e peróxido de hidrogénio, foi também investigada. Os resultados sugerem que as estirpes persistentes apresentam melhor capacidade de adaptação às condições de stresse encontradas em ambientes de processamento alimentos do que as estirpes não-persistentes, nomeadamente 22 ° C, 2,5%, 4% e 8% de NaCl, e a pH 5. Não foi detetada qualquer relação entre persistência e resistência aos desinfetantes testados. Dos 41 isolados testados, foram selecionadas seis estirpes persistentes e sete não-persistentes. A capacidade de formação de biofilme em coupons de aço inoxidável, de silicone, e de cloreto de polivinilo (PVC) foi avaliada; esta capacidade foi também avaliada por ensaio em microplaca. As estirpes persistentes produziram mais biofilme do que as estirpes não persistentes nas superfícies de aço inoxidável e de silicone; não foram observadas diferenças significativas em PVC. No ensaio em microplaca de poliestireno com coloração de cristal violeta não foram encontradas evidências de que estirpes persistentes apresentem maior capacidade de formação de biofilme do que as estirpes não persistentes; nenhuma correlação foi identificada entre a formação de biofilme na microplaca e nas três outras superfícies testadas. A tipagem contínua de isolados é essencial e o estudo da persistência de L. monocytogenes em fabricas de processamento alimentar é importante para desenvolver novas estratégias, mais eficientes, para o controlo desta bactéria patogénica.
Data do prémio26 jul 2016
Idioma originalEnglish
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
PromotoresFundação para a Ciência e a Tecnologia
SupervisorPaula Teixeira (Supervisor) & Gonçalo António Nieto Uria Ribeiro de Almeida (Co-Orientador)

Designação

  • Doutoramento em Biotecnologia

Citação

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