O papel das funções executivas nas dificuldades de socialização na perturbação do espectro do autismo

  • Marina Sobral Tordo Simões Lopes Marçal (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

A perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma perturbação do neurodesenvolvimentoem que uma das características mais relevantes é a existência de défice na interação socialverificando-se também, frequentemente, alterações nas Funções Executivas. Embora tanto osdéfices sociais quanto os défices nas Funções (FE) tenham sido extensivamente estudadosseparadamente, tem havido poucas pesquisas sobre a relação entre FE e a função social emcrianças com PEA. O objectivo do presente estudo foi avaliar as funções executivas na PEA eestudar a sua relação com o comportamento social em crianças e jovens com Perturbação doEspecto do Autismo (PEA) e com desenvolvimento típico (DT).Numa primeira parte procurou-se avaliar as FE dos dois grupos através de métodos diretos, ouseja, do desempenho das tarefas neuropsicológicas, i.e, memória de dígitos (direto e inverso),Fluência Verbal (Semântica e Fonética), Trilhas (A e B) e através de métodos indiretos, comaplicação de um Inventário Comportamental de avaliação de Funções Executivas (ICAFE-C)(Goia et al., 2000) aos pais das crianças e da aplicação da escala de socialização da Escala deComportamento Adaptativo de Vineland-II (Sparrow et al., 2005). Numa segunda parteverificou-se a relação entre as funções executivas avaliadas de forma direta e indireta com acapacidade de socialização.Face aos objectivos propostos, foram estudadas 19 crianças com Perturbação do Espectro doAutismo e 18 crianças com desenvolvimento típico com idades compreendidas entre os oito eos 15 anos. Os resultados obtidos indicam que apenas são identificadas diferençassignificativas entre os dois grupos nas FE avaliadas através de métodos indiretos (avaliaçãocomportamental efectuada pelos pais). No que diz respeito ao segundo objectivo do estudo,identificámos uma relação significativa entre capacidade de socialização e FE do dia-a-dia,tanto para a Componente Regulação de Comportamento como para a Componente Metacognição, para os dois grupos, embora se destaque a forte correlação do domínio da Metacognição, mais precisamente para as funções Memória de Trabalho e a Planificação/Organização para o grupo com PEA. Estes resultados sugerem que menores capacidades sociais podem beneficiar com intervenções que incluam o desenvolvimento das FE no geral, e para os sujeitos com PEA nível 1, das funções metacognitivas em particular.
Data do prémio23 jul 2020
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorFilipa Ribeiro (Supervisor)

Keywords

  • Perturbação do Espectro do Autismo
  • Desenvolvimento típico
  • Funções executivas
  • Métodos diretos
  • Métodos indiretos
  • Metacognição
  • Regulação de comportamento
  • Memória de trabalho
  • Planificação

Designação

  • Mestrado em Neuropsicologia

Citação

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