Este estudo é uma autoetnografia (AE) que reflete sobre o efeito da diversidade cultural sobre a conceção e implementação de políticas e práticas de Recursos Humanos (RH) em organizações multinacionais. As vantagens da autoetnografia são notórias, sobretudo porque possibilita uma relação pragmática entre contributos académicos e contextos organizacionais. Isso acontece porque a AE é um método de pesquisa, analítica e interpretativa, que inclui uma autobiografia do autor combinada com análises e interpretações culturais, num contexto específico. Este método permite que o investigador possa participar de forma ativa no estudo, que conecta o pessoal (auto) ao cultural (ethnos), colocando o próprio autor dentro de um contexto social. A diversidade cultural surge como um fator de contingência na gestão de recursos humanos (GRH). Práticas que, no mundo ocidental são valorizadas e bem-vindas, merecem a rejeição de colaboradores provenientes de outras culturas. Aspetos simples, como as férias ou a ligação de câmaras em videoconferências desencadeiam reações diferentes e marcados pelas diferenças de valores, mas também de estilos de vida. As práticas tidas como racionais e universais, por isso, eficientes, podem revelar-se destrutivas e fonte de conflitualidade. A presente autoetnografia possibilitou à autora a consciencialização sobre o impacto da diversidade cultural na sua prática profissional. Proporciona também pistas para outros profissionais que trabalhem em organizações multiculturais.
- Autoetnografia
- Diversidade cultural
- Gestão de pessoas
Os desafios da diversidade cultural nas organizações: um exercício autoetnográfico sobre o caso da Techworld
Martins, G. O. N. D. A. (Aluno). 6 jul. 2022
Tese do aluno: Dissertação de mestrado