A confrontação do homem com a sua finitude é uma temática tão antiga quanto a consciência da sua mortalidade. A morte põe termo a um prazo inevitável que parece inscrever-se na natureza das coisas. Não há remédio que sirva para a evitar por mais que os avanços científicos e tecnológicos se constituam como solução para grandes problemas que afetam aqui e ali uma existência serena e uma felicidade constante. Pensar a morte será uma forma de aprender a viver com o conhecimento pleno da nossa condição humana. Aprender a viver com a convicção clara de que somos seres mortais, efémeros e em viagem, deverá ser entendido como uma oportunidade para crescermos em dignidade e fraternidade. Com As Intermitências da Morte percebemos que o sonho maior da espécie humana – a conquista da imortalidade – rapidamente se transforma no seu revés. O fim da morte, ao contrário de trazer prazer, traz pesadelo. Conduz ao caos, à desorientação, ao desnorte…. Consciencializamo-nos de que viver eternamente seria estar condenado a uma velhice eterna, salvo se o tempo não parasse, coisa que não acontece. Recorrendo magistralmente à alegoria, Saramago deixa claro que temos que morrer para viver. Se assim não fosse, a vida tornar-se-ia insuportável. Põe à vista o modo como a morte afeta a vida, como morte e vida se unem numa necessidade mútua absoluta. Permite-nos ainda analisar o comportamento do homem face a esse mistério. O romance com muito de cómico, de ironia, de fábula e de tragédia, propõe-nos sentidos vários no que toca às vivências do ser humano. Nele são explorados os recantos obscuros do ser humano contemporâneo: a irracionalidade, a erosão da democracia, a solidão, as agressões do mercado capitalista num país em que a economia submete a política e a instrumentaliza numa correlação de forças assimétricas, reduzindo os regimes de soberania popular a engrenagens enormemente atrofiadas. Aproximando vida e morte, As Intermitências da Morte resultam num hino ao amor, à música e à vida humana.
| Data de atribuição | 12 mar. 2014 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | José Cândido de Oliveira Martins (Supervisor) |
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- Saramago
- Vida
- Morte
- Alegoria
- Dignidade
- Envelhecimento
- Ancião
- Fábula
- Ateísmo
- Mestrado em Literatura Portuguesa
Os limites da dignidade humana em as intermitências da morte, de José Saramago: alegoria da morte na sociedade contemporânea
Pereira, M. D. C. G. (Aluno). 12 mar. 2014
Tese do aluno: Dissertação de mestrado