Prevalência de feridas num Hospital Central do distrito do Porto

  • Paulo Alexandre Silva Ramos (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

Introdução: As feridas constituem um importante problema de saúde, que prevalece com enorme complexidade apesar dos desenvolvimentos das terapias de prevenção e tratamento. Em Portugal ainda se sabe muito pouco em termos epidemiológicos sobre este tema. Avaliando os estudos de prevalência publicados constata-se uma enorme variância de resultados, sendo difícil tirar conclusões definitivas. Objetivos: Estimar a prevalência de feridas no Centro Hospitalar de S. João EPE; Identificar e caraterizar as feridas dos utentes internados no Centro Hospitalar de S. João EPE. Metodologia: Estudo insere-se no paradigma quantitativo, observacional e transversal realizado numa amostra não probabilística acidental a utentes com feridas, internados no Centro Hospitalar de S. João nos dias 9, 10 e 11 de janeiro de 2013. A colheita de dados foi efetuada pelo investigador e colaboradores, através do preenchimento do questionário referente ao Estudo Epidemiológico de feridas (Universidade Católica Portuguesa). Resultados: Dos 1029 utentes internados no CHSJ, 342 apresentavam feridas, uma taxa de prevalência de 33,2%, 140 utentes tinham mais do que uma ferida e em média existia 1,85 feridas por utente. A idade média da amostra foi de 57,74 anos, sendo que 52,6% eram reformados, 179 eram do género feminino e 163 do masculino. Das 630 feridas encontradas 58,9% são feridas cirúrgicas e 20,3% são úlceras de pressão. As localizações mais prevalentes são o abdómen (28,9%), pernas (10,8%), peito (10,3%) e cóccix (6,8%). Quanto à origem 76,5% das feridas tiveram origem no Hospital. Relativamente à duração 64,8% das feridas tem uma duração igual ou inferior a 8 dias. Analisando a ferida principal quanto ao tecido presente verifica-se a predominância do tecido de epitelização (47,9%) e granulação (24,0%), apresentando-se sem exsudado (46,8%) ou então sendo escasso (31,9%). Verificou-se que o tratamento duplica o nível de dor por ferida. Em 49,1% dos utentes existia alteração da pele perilesional. Em 28,4% das feridas é executado tratamento diário, sendo os materiais de penso mais utilizado o iodo (14,6%), hidrogéis (9,9%) e espumas (5,3%). Conclusão: Os resultados obtidos encontram-se dentro da variância verificada em estudos semelhantes publicados. Através destes resultados compreende-se a necessidade de implementação de políticas institucionais de prevenção e tratamento de feridas. Esperemos que sirva de plataforma para se avançar com novos estudos.
Data do prémio12 fev 2014
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorBeatriz Araújo (Supervisor) & Paulo Alves (Co-Orientador)

Keywords

  • Estudo de prevalência
  • Ferida
  • Hospital
  • Dor

Designação

  • Mestrado em Feridas e Viabilidade Tecidular

Citação

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