A arquitectura, na sua vertente profissional, tem vindo ao longo do seu percurso, a melhorar a vida das comunidades sob a forma de habitação, serviço público e privado. A arquitectura tem acompanhado as transformações sociais ao serviço da civilização humana, desde a forma habitacional até edifícios públicos. A arquitectura e os seus edifícios imponentes sempre espelharam os diferentes períodos históricos e a vida quotidiana de cada cultura. Por esta razão, conseguimos uma leitura arquitectónica como uma narrativa da história da economia política e cultura de um determinado contexto geográfico. O poder, seja ele político, financeiro, religioso, ou de classes sociais mais ricas, materializa-se na robustez, escala ou ornamentação/iconografia, dos seus edifícios. Assim sendo, o arquitecto, trabalhou ao serviço das classes que detinham o poder, enquanto que as classes mais baixas autoconstruíam o seu habitat. Contrariamente, a arquitectura evolui em diversas formas de estilo, o arquitecto mantém-se predominantemente ao serviço do mercado, a classe economicamente mais favorecida continua a ser a mais beneficiada com o trabalho do arquitecto, pois é a única que suporta o pagamento ao mesmo. De acordo com o Relatório das Actividades Globais da UN-Habitat de 2013, 1/3 da população urbana residente em países em desenvolvimento, mora em bairros de lata ou favelas, com maior incidência na África Sub-Saariana que apresenta a percentagem mais elevada, 62% da população. Em muitos destes países as ONG’s trabalham no combate à pobreza extrema, sendo estas o único tipo de apoio prestado à população mais pobre. Desta forma, esta dissertação questiona o papel social do arquitecto tendo em conta o actual estado de polarização espacial do planeta. Com base na literatura sobre os temas do Direito à Cidade, Planeamento Participativo e Globalização, procura-se clarificar as razões por detrás da mercantilização da arquitectura e os seus valores enquanto o mundo inteiro se globaliza. Através da revisão literária e estudos de caso a dissertação sugere que que o arquitecto poderá ter, no futuro, um papel mais preponderante na sociedade através de práticas participativas.
| Data do prémio | 25 mai. 2015 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Céline Felício Veríssimo (Supervisor) |
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- Planeamento participativo
- Arquitectura globalizada
- Urbanização
- Pobreza
Processos participativos em arquitetura : o estudo de caso de ONG’S em Portugal : princípios e práticas
Monteiro, V. C. F. (Aluno). 25 mai. 2015
Tese do aluno: Dissertação de mestrado