Promover a esperança parental
: o papel do enfermeiro especialista no suporte à parentalidade

  • Vanda Micaela Rocha Vicente (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

A Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica enfrenta atualmente o desafio de acompanhar Crianças e Famílias no seu Processo de Saúde, numa sociedade medicalizada e tecnicamente evoluída. Neste contexto, surge o direito à Esperança dos Pais relativa à saúde dos seus filhos. Esperança essa que se assume como fator de resiliência, motivação e compromisso, inerente à diversidade cultural que caracteriza a nossa população.Os primeiros estudos publicados acerca da Esperança nos Cuidados de Saúde datam da década de 1960 e o papel do enfermeiro neste contexto é descrito pela primeira vez em 1985. Desde então, tem vindo a crescer o interesse e a evidência nesta área de intervenção em Enfermagem.O Enfermeiro Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica integra no seu perfil de competências a Promoção da Esperança, nomeadamente a Esperança Parental, considerando a relação terapêutica como o elemento essencial à implementação das respetivas intervenções.O presente relatório surge no âmbito do Curso de Mestrado em Enfermagem, na área de especialização de Saúde Infantil e Pediátrica do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa. Tem como objetivo descrever o percurso desenvolvido nos contextos de estágio, numa perspetiva crítica, de reflexão, integrando o crescimento profissional que deverá refletir o perfil de competências esperado.A Promoção da Esperança foi considerada enquanto intervenção de enfermagem operacionalizada através da relação terapêutica Enfermeiro/Criança/Família. Fundamentou-se na Teoria do Cuidado Humano de Jean Watson, em complementaridade com os pressupostos e intervenções do Modelo de Intervenção em Ajuda Mútua Promotor de Esperança, de Zaida Charepe.Com o objetivo de mapear a evidência científica acerca desta temática, foi elaborada uma revisão scoping: Esperança Parental e Multiculturalidade.Na Unidade de Saúde Familiar foi possível acompanhar e aprofundar os Programas de Saúde Infantil e Juvenil preconizados pela DGS. Das atividades desenvolvidas, destaco a Sensibilização da Equipa de Saúde para a promoção da Esperança em Cuidados Paliativos Pediátricos; e a Intervenção em Esperança Parental no suporte à parentalidade, com recurso ao genograma de Esperança.Na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais foi possível acompanhar e compreender a complexidade dos cuidados prestados e o seu impacto na estrutura familiar destes bebés. O processo de aprendizagem proporcionou: a criação de um folheto de Promoção de Esperança para Pais de bebés prematuros; a divulgação dos Direitos dos Pais à Esperança e a Formação dos Enfermeiros na área do Suporte à Esperança Parental através da Promoção da Vinculação e Aceitação da Esperança como elemento chave na proteção da Saúde dos Pais e dos seus bebés.Na Urgência Pediátrica foi possível integrar a adversidade do contexto. A fragilidade das famílias perante a ameaça à saúde dos seus filhos permitiu desenvolver competências no suporte à Criança e Família, validando as suas emoções e trabalhando em conjunto as suas incertezas. A atividade de sensibilização para as intervenções de enfermagem em crianças com múltiplos reinternamentos resultou numa Norma de Procedimento com enfoque no Suporte Parental através da mobilização dos Recursos de Esperança.
Data do prémio4 ago 2021
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorZaida Charepe (Supervisor)

Keywords

  • Esperança
  • Esperança parental
  • Cuidados de enfermagem
  • Pediatria

Designação

  • Mestrado em Enfermagem

Citação

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