Segundo a Organização Mundial da Saúde os casos reportados de toxinfeções alimentares ascendem a 600 milhões anualmente e destes cerca de 40% têm origem nas próprias habitações. No entanto, estes números podem ser ainda maiores uma vez que grande parte dos sintomas das toxinfeções passam ao fim de um ou dois dias, pelo que estes incidentes por vezes não são reportados. Sendo que é já aceite que uma parte significativa das toxinfeções alimentares resultam do inadequado manuseamento e preparação dos alimentos pelos consumidores importa perceber o que os leva a cometer esses erros, quais as crenças e convicções (mitos) que circulam na população e quais os fatores sociodemográficos que facilitam a sua propagação. Realizou-se um questionário online, respondido anonimamente por 486 consumidores. Os resultados foram trabalhados e analisados estatisticamente recorrendo aos softwares MS Excel® e Statistical Package for the Social Sciences (SPSS versão 28®) para Windows 10. O questionário continha 74 afirmações passíveis de serem mitos alimentares. A partir das respostas obtidas, em 35 destas afirmações foram analisadas a distribuição da população e os fatores sociodemográficos dos participantes que possam ter influenciado o seu conhecimento. Para cada uma das afirmações propostas analisadas procurou-se encontrar o seu grau de veracidade. Constatou-se que, em média, a percentagem de participantes que responde corretamente às afirmações passíveis de serem mitos é 54,5%, com 26,2% e 19,3%, respetivamente, a responder de forma errada ou a não tomar posição. Nas questões relativas aos aspetos gerais da segurança alimentar, como quão mal passado pode ser consumido um bife ou um hambúrguer e o funcionamento das datas de validade, verificou-se, em média, 51,8% de respostas corretas, 27,1% de respostas erradas e 21,1% dos respondentes não concordaram nem discordaram da afirmação. Já nas questões relacionadas com a conservação, como a possibilidade de se desenvolverem bactérias no congelador, em média registaram-se 59,1% de respostas corretas, 26,1% respostas erradas e 14,9% de respostas neutras. Nas questões relacionadas com a manipulação de alimentos em média, registou-se 59,1% de respostas corretas, 21,1% de respostas erradas e 19,7% de respostas que não concordaram nem discordaram da afirmação. Constatou-se por fim que em 18 questões (51,4%) pelo menos 50% dos participantes respondeu corretamente e que em mais nove a opção mais escolhida era também a correta. Em suma, os consumidores apresentam alguns conhecimentos relativamente ao reconhecimento de mitos alimentares, no entanto continua a ser necessária uma aposta forte na educação do consumidor de modo a reduzir os riscos do dia a dia decorrentes de crenças incorretas.
| Data de atribuição | 16 mar. 2022 |
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| Idioma original | Portuguese |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Paula Teixeira (Supervisor) & Rui Leandro Alves da Costa Maia (Co-Orientador) |
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- Segurança alimentar
- Consumidor
- Mitos na segurança alimentar
- Perigos alimentares
- Mestrado em Biotecnologia e Inovação
Segurança alimentar: verdades e mitos : conhecimentos e crenças entre a população portuguesa
Soares, L. C. S. (Aluno). 16 mar. 2022
Tese do aluno: Dissertação de mestrado