Segurança do doente à alimentação
: intervenção de enfermagem na capacidade de deglutição

  • Alexandra Leonor Roque do Carmo Carvalhal (Aluno)

Tese do aluno

Resumo

As alterações da capacidade de deglutição constituem um problema de alta morbilidade, mortalidade e custos, frequentemente relacionado com consequências graves na saúde dos afectados mas que não tem merecido particular atenção, tanto por parte de programas de gestão de risco ou de qualidade de cuidados. Os enfermeiros são profissionais de saúde que pelo seu perfil técnico e de proximidade com os utentes podem intervir de forma eficaz na diminuição do risco de complicações e assim aumentar a segurança à alimentação dos utentes. A nossa intervenção em saúde foi desenvolvida junto da Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Gentes de Loulé, Portugal. Na implementação deste projecto estabeleceu-se como meta desenvolver as competências da equipa de enfermagem da ECCI na sua intervenção na capacidade de deglutição, aumentando para 20% a frequência de registo dessa intervenção, até Janeiro 2013. Foram definidos os seguintes objectivos: 1. Implementar um programa de formação sobre a capacidade de deglutição de forma a desenvolver competências teórico-práticas de intervenção de enfermagem nesta área, obtendo 60% de taxa de respostas correctas em questionário de avaliação teórica e 60% de concordância na avaliação prática; 2. Criar um instrumento de suporte à intervenção e registo de enfermagem relacionado com a capacidade de deglutição e testa-lo; 3. Melhorar a frequência de registo das intervenções de enfermagem relacionadas com a capacidade de deglutição, passando de 6,3% para 20%. Foi seguida a metodologia de planeamento em saúde. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura sobre metodologia de avaliação clínica da capacidade deglutição. Realizaram-se dois estudos epidemiológicos, um de diagnóstico e outro de avaliação. Foi criado um instrumento de apoio à intervenção de enfermagem que foi testado nos seus atributos de validade de conteúdo e confiabilidade pela objectividade inter-observadores. Implementou-se um programa de formação teórica e prática que foi avaliado. Realizaram-se reuniões formais e informais com a ECCI. Quanto a resultados, na avaliação do programa de formação obteve-se 37% de taxa de melhoria de conhecimentos teóricos e proporção de concordância de 93,4% na avaliação da prática. Na testagem do instrumento obtiveram-se os seguintes resultados globais: Po = 93,4%, excelente; ICC = 0,927, excelente; Kendall ! – b = 0,875, excelente; Kappa (p) = 1,000, excelente. Da revisão da literatura efectuada concluiu-se não haver consenso nem na metodologia mais adequada nem nos itens a incluir para avaliação da capacidade de deglutição. Os estudos epidemiológicos efectuados mostraram, entre outros dados, que 86% da população da ECCI apresenta antecedentes de risco para alterações na capacidade de deglutição. A prevalência daquela alteração foi, no 1º estudo, de 6,8% e de 18,3% no 2º estudo. A frequência de registo de intervenções de enfermagem relacionadas com as alterações da deglutição aumentou para 37%. Concluiu-se que os objectivos e a meta foram alcançados. Acreditamos que o valor da intervenção de enfermagem na alimentação pode ser capaz de traduzir ganhos em segurança, logo em qualidade de cuidados e portanto, ganhos em saúde das pessoas, o que, por sua vez, pode representar ganhos económicos significativos no SNS.
Data do prémio2014
Idioma originalPortuguese
Instituição de premiação
  • Universidade Católica Portuguesa
SupervisorTeresa Rasquilho Vidal (Supervisor)

Designação

  • Mestrado em Enfermagem

Citação

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