A saúde vaginal é assegurada por um microbioma vaginal que desempenha um papel essencial na prevenção da colonização e/ou infeção por agentes patogénicos. Quando o microbioma vaginal é alterado, o trato vaginal pode ser infetado por vários microrganismos patogénicos, que podem causar doenças tais como vaginose bacteriana, candidíase vulvovaginal, entre outras. Este estudo teve como objetivo avaliar a atividade antimicrobiana de três bactérias do ácido láctico (Lactiplantibacillus plantarum R23, Lactiplantibacillus plantarum 299V e Pediococcus pentosaceus K34) contra patogénicos comuns no trato urogenital (Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Candida albicans) num fluído vaginal simulado a valores de pH de 4,2; 5,5 e 6,5. Além disso, as bactérias do ácido lático com potencial para inibir patogénicos vaginais foram caracterizadas quanto ao seu potencial probiótico. No fluído vaginal simulado, apenas ocorreu inibição de L. monocytogenes a pH 4,2 por Lb. plantarum R23 (até 48 h de contacto) e P. pentosaceus K34 (após 2 h de contacto), e a pH 5,5 por P. pentosaceus K34 (até 48 h de contacto). Ambas as estirpes produzem bacteriocinas contra L. monocytogenes, o que pode explicar os resultados obtidos. Com os resultados promissores no fluído vaginal simulado nos dois valores de pH, P. pentosaceus K34 foi selecionado para posterior caracterização como potencial probiótico. Foram realizados vários ensaios uma vez que, para fins comerciais, os potenciais probióticos devem satisfazer vários requisitos. Quanto à sua segurança, nenhuma das enzimas extracelulares testadas foram produzidas por P. pentosaceus K34, e a atividade hemolítica ou a capacidade de formar aminas biogénicas também não foram encontradas. Contudo, apesar de ser sensível à maioria dos antibióticos testados, P. pentosaceus K34 foi resistente à ampicilina, e a natureza de tal resistência requer investigação adicional. Pediococcus pentosaceus K34 também demonstrou uma grande capacidade em aderir às células Caco2, mas 24,1 ± 4,0% das células também capazes invadir a mesma linha celular. Estes resultados precisam de confirmação para concluir sobre a possível forma de administração, uma vez que a adesão ao epitélio intestinal é outro requisito obrigatório para probióticos de administração oral. Embora mais testes devam ser realizados para validar e completar este estudo preliminar, P. pentosaceus K34 parece ser um potencial probiótico para o tratamento de infeções vaginais.
| Data de atribuição | 18 nov. 2022 |
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| Idioma original | English |
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| Instituição de premiação | - Universidade Católica Portuguesa
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| Supervisor | Joana Barbosa (Supervisor) & Paula Teixeira (Co-Orientador) |
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- Probióticos
- Pediococcus pentosaceus
- Patogénicos
- Infeções vaginais
- Mestrado em Microbiologia Aplicada
Study and characterization of lactic acid bacteria as potential vaginal probiotics
Esteves, M. I. (Aluno). 18 nov. 2022
Tese do aluno: Dissertação de mestrado