Resumo
As alterações climáticas e a degradação ambiental representam ameaças para as atividades económicas e sociais em todo o mundo. O sistema financeiro tem desempenhado um papel central na transformação sustentável da economia global, com as considerações Ambientais, Sociais e de Governança (ESG) a tornarem-se generalizadas no setor. As iniciativas do Pacto Ecológico Europeu da Comissão Europeia visam transformar a UE numa economia moderna, eficiente em termos de recursos e competitiva, sendo o empreendedorismo e a inovação chave na transição para o desenvolvimento sustentável. Este estudo investiga até que ponto o capital de risco, reconhecido como um intermediário financeiro significativo no ecossistema empreendedor, está a financiar a transição, examinando as motivações dos gestores de fundos de capital de risco na integração dos critérios ESG no seu processo de pré investimento. Para revelar estas motivações, foram realizadas entrevistas pessoais, apoiadas por um questionário estruturado, a uma amostra de representantes de fundos de capital de risco sedeados em Portugal. Os empresas que integram o presente estudo incorporam fatores ESG, principalmente na seleção de negócios, mas não os priorizam, considerando-os como pouco importantes. Os resultados apoiam a hipótese de que os fundos não consideram a integração ESG como um fator determinante. Não foram encontradas diferenças entre as empresas signatárias e não signatárias dos UN PRI. A perceção positiva do impacto ESG nos retornos dos investimentos é inconsistente na amostra, e os resultados são insuficientes para confirmar a perceção de uma relação positiva entre as considerações ESG e os retornos dos investimentos. Embora o ambiente regulatório não seja o principal impulsionador para a incorporação de ESG, o grau de integração está positivamente associado aos desenvolvimentos políticos e regulatórios. O estudo destaca os principais obstáculos ao investimento ESG, tais como a subjetividade excessiva, a falta de clareza e as dificuldades em quantificar os fatores ESG. Esta conclusão está alinhada com a constatação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de que as entidades gestoras precisam de reforçar as competências internas para cumprir o quadro regulamentar aplicável. Os investidores salientam que os requisitos regulamentares, se desconectados da implementação prática, podem levar a processos artificiais e a um greenwashing não intencional. Apesar de reconhecerem a importância dos tópicos de sustentabilidade, existe desconfiança devido à dificuldade em medir o impacto ESG, tanto na sociedade quanto no desempenho dos fundos.| Data de atribuição | 30 out. 2024 |
|---|---|
| Idioma original | English |
| Instituição de premiação |
|
| Supervisor | João Pinto (Supervisor) |
ODS da ONU
Esta tese de estudante contribui para os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU
-
ODS 9 Indústria, inovação e infraestrutura
-
ODS 12 Consumo e produção responsáveis
-
ODS 13 Ação climática
Keywords
- Capital de risco
- Finanças sustentáveis
- ESG
Designação
- Mestrado em Finanças
Citação
- Standard